
Foto: Arquivo pessoal de André de Andrade
Por Assislan de Paiva
Jornalista
Começa nesta próxima segunda-feira, 18, a 3ª Semana Beata Maria de Araújo, evento que se estende até o dia 24, e traz em sua programação diversos manifestos expressos nas mais diversas pautas, levando a públicos distintos a figura da beata e seu papel histórico, social, político e religioso em Juazeiro do Norte, desde à época do suposto milagre da hóstia, aos dias atuais. Um movimento crescente formado por diversos segmentos da sociedade está protagonizando o debate acerca do tema, somando diversos pensamentos em torno da agenda, se autodenominando Movimento Pró-memória. A Semana também tem o reconhecimento legal no âmbito estadual e municipal, reconhecida diante das Leis em questão, incluindo no calendário oficial de eventos nas duas amplitudes.
Este ano a Semana traz o tema “entre o Silêncio e a Eternidade”, e estará aberta às 8h30 desta segunda-feira no Centro Cultural Daniel Walker (antiga estação ferroviária), onde será possível conferir a exposição em óleo sobre tela “Beata Maria de Araújo: Do Silêncio do Oculto ao Óbvio da Eternidade”, de Dinho Lima, e fica aberta ao público até o dia 30. Com promoção da Secretaria da Cultura do Município, a agenda é um dos holofotes que permeia os setes dias, onde toda a programação é gratuita, além de ser pensada de forma descentralizada para alcançar os mais distintos públicos e aproximar visitantes em diversos pontos da cidade. Nesta perspectiva ainda haverá lançamento de livros, palestras, debate, exibição de vídeo, visita póstuma, missa, e uma série de outras atividades que se integram entre parcerias, locais, órgãos públicos e privados e une os mais diversos pensamentos sobre o tema e a figura da beata.
Para os organizadores, diante de seus estudos e conhecimentos, entende-se que o tema ‘Entre o Silêncio e a Eternidade’ revela que “o silêncio foi forjado, por questões religiosas da igreja católica, que na época não aceitou o fenômeno do milagre. A beata Maria de Araújo sofreu consequências como a clausura, e mesmo após sua morte teve seu túmulo violado e o que sobrou dos seus restos mortais, até o momento atual, tem rumo ignorado. A beata Maria de Araújo sofreu um silêncio imposto pela Igreja, que se expandiu com a violação de sua memória, o que prejudicou seu justo destaque na história local como a cidadã, talvez a mais importante do século XX. A eternidade, marca o ressurgimento de Maria de Araújo não apenas como personagem histórica, mas como presença incontornável da identidade juazeirense. Sua trajetória emerge das sombras para ocupar o lugar que sempre lhe pertenceu. A 3ª Semana dialoga com questões urgentes como o racismo estrutural, a desigualdade de gênero e os mecanismos de apagamento histórico. Ao reconhecer Maria de Araújo como mulher negra, educadora catequista, artista artesã, heroína espiritual da guerra de 1914, pioneira da filantropia e benfeitora das casas de caridades da região, religiosa e protagonista, confronta-se diretamente a lógica que a excluiu dos currículos, das narrativas oficiais e das homenagens públicas.”
É nesta proporção que José André de Andrade apresentou sua dissertação de mestrado embasando mais ainda o foco e efetivando a importância da Semana Beata Maria de Araújo, conforme a seguir em alguns recortes que finaliza em todo o seu contexto:
“(…) desde que aconteceu o milagre, a Beata Maria de Araújo e o Padre Cícero passaram a ser o centro das atenções, quando efetivamente as romarias impulsionaram o crescimento demográfico, econômico e cultural de Juazeiro. Os poderes instituídos em suas dimensões religiosa, econômica, política e cultural se voltaram contra o Juazeiro e o milagre. A beata Maria de Araújo e o Padre Cícero passaram a ser inimigos desses poderes que tiveram seus interesses contrariados a partir do fenômeno do milagre que fez surgir uma nova cidade. O poder de Roma ‘para coibir as manifestações de apreço e as peregrinações a Juazeiro, a Santa Inquisição ordena que os bispos proíbam acesso dos curiosos à Maria de Araújo’. A Igreja vivia nessa época o processo de “romanização” e não admitia surgir um novo centro de peregrinação, práticas religiosas que se diferenciavam da prática tradicional canônica. A III Semana é um convite a toda população, mostrando que o tempo do silêncio acabou. Precisamos informar isso ao povo de Juazeiro, aos romeiros e aos estudantes, dizer que podemos falar hoje abertamente do milagre. O padre Cicero já teve sua conciliação com a Igreja Católica, é o Servo de Deus e em breve será canonizado. Será também uma questão necessária à Igreja se pronunciar sobre a Beata Maria de Araújo.”
Neste percurso do que é e de como se dará toda a 3ª Semana Beata Maria de Araújo, importante está munido da programação global que orienta todo o percurso e as atividades que serão oferecidas, quando serão encerradas na praça Beata Maria de Araújo com a premiação da 10ª Mostra Poemas Para Maria, onde serão congratulados e premiados em um festivo recital de encerramento.
Serviço:
Informações: 88 9 8814 4001
Programação e outras informações: CCBNB, Teleférico do Horto, Memorial Padre Cícero e Centro Cultural Daniel Walker