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Neste domingo (30), às 17h, a Praça Siqueira Campos, no Crato, receberá o Ato do Povo em Defesa da Chapada do Araripe. O anúncio foi feito após a divulgação do Plano de Manejo da APA pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O documento estabelece quase 90% da área da APA para atividades produtivas, permitindo atividades como agricultura, pecuária, silvicultura e aquicultura.
O percentual preocupa biólogos, ambientalistas e ativistas, que convocam para o ato. “É hora de ocupar as ruas, unir nossas vozes e mostrar que a Chapada tem dono: o povo que vive, ama e luta por esse patrimônio!”, destacam os organizadores, ao convocar o público para participar e fortalecer a luta.
Como divulgado anteriormente pelo Jornal do Cariri, o chefe do ICMBio Araripe, Carlos Augusto de Alencar, contou que o percentual não representa autorização para expansão sem limites do agronegócio ou de outras atividades. Segundo ele, os empreendimentos continuam submetidos às normas ambientais e ao licenciamento. “A existência dessa zona não constitui autorização automática para novos desmatamentos, expansão irrestrita da agropecuária ou implantação de empreendimentos sem controle ambiental”, afirma.
Nomes da política cearense como o vereador fortalezense Gabriel Aguiar e o deputado Renato Roseno apoiam o movimento. Pelas redes sociais, eles apresentaram que quase 900 mil hectares estão vulneráveis à exploração do agronegócio, o que pode causar impacto negativo na vida do pequeno agricultor familiar e interrompendo, por exemplo, as 340 fontes de água identificadas na Chapada do Araripe, presente nos estados de Ceará, Pernambuco e Piauí. Além disso, o impacto pode atingir espécies como o soldadinho-do-araripe, além do patrimônio paleontológico e arqueológico.
O deputado federal Luiz Gastão solicitou ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) esclarecimentos e documentos sobre a aprovação do novo Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe. Diante da dimensão territorial e dos possíveis impactos sobre recursos hídricos, patrimônio paleontológico e espeleológico e comunidades tradicionais, Gastão cobra transparência em todas as etapas que resultaram na aprovação do documento.
No ofício encaminhado ao presidente do ICMBio, Mauro Oliveira Pires, o deputado solicita a íntegra da portaria, do Plano de Manejo e dos mapas de zoneamento, além dos estudos, pareceres e demais fundamentos técnicos e jurídicos utilizados para definir a área como Zona de Produção.
Nas redes sociais, o artista Max Petterson falou sobre a importância da Chapada do Araripe, que serve como uma uma “esponja” natural, um grande ponto de recarga dos aquíferos, e apresentou os impactos que as atividades propostas no plano podem causar. “A gente está falando aqui de um patrimônio que é nosso e, por questões de terceiros, vai ser usada de forma incorreta”, afirmou, ao dizer que é necessário entender o que está acontecendo e exija que isso seja refeito e revisto.
Por sua vez, a cantora Carla Ribeiro apresentou uma composição própria o projeto e a necessidade de agir enquanto há tempo. “Não adianta tirar foto na cascata e ir pro meio da Chapada se no meio da desgraça tu nem pra reclamar”, afirma, “Ouço muito o lamento, mas não vejo movimento, só a voz do silêncio, da morte e o esperar”, completa, ao dizer falar ainda que não adianta ter vontade se não se aprende a votar. “Nesse ano tu se atenta vota naquele que tenta proteger com mais decência a Chapada o que mais há”, enfatiza.