
Editorial | É preciso debater segurança pública nas eleições 2026
A segurança pública precisa deixar de ser apenas um discurso de campanha e ocupar o centro do debate eleitoral de 2026. No Ceará, e particularmente no Cariri, os números da violência e os casos de homicídios, feminicídios, tráfico de drogas e atuação de organizações criminosas exigem dos candidatos mais do que promessas de endurecimento penal.
O eleitor precisa perguntar aos candidatos: qual é o plano? Quanto vai custar? Onde será executado? Em quanto tempo produzirá resultados? E como esses resultados serão medidos?
É legítimo defender mais policiamento, maior rigor contra criminosos e investimentos nas forças de segurança. Mas segurança pública não pode ser reduzida à ideia de colocar mais policiais nas ruas ou aumentar penas. O problema é mais complexo.
O Ceará precisa fortalecer a investigação policial, a inteligência, o combate ao tráfico de drogas, o rastreamento de armas e o enfrentamento financeiro das organizações criminosas. Prender quem executa um crime é necessário, mas é insuficiente quando os mandantes, financiadores e estruturas criminosas continuam funcionando.
Também é preciso discutir a violência contra as mulheres. Os casos registrados no Cariri mostram que muitas mortes são precedidas por ameaças, agressões e conflitos dentro de relações familiares. Medidas protetivas precisam ser efetivamente fiscalizadas, e as mulheres em situação de risco precisam encontrar uma rede pública capaz de protegê-las antes que a violência termine em morte.
Outro ponto que precisa entrar na agenda eleitoral é a juventude. Combater o recrutamento de adolescentes pelo crime organizado é uma política de segurança. Escola, esporte, cultura, formação profissional e oportunidades de trabalho não substituem a ação policial, mas podem impedir que jovens vulneráveis sejam capturados pelas organizações criminosas.
Da mesma forma, o debate sobre a redução da maioridade penal precisa ser feito com responsabilidade. É possível defender a responsabilização de adolescentes que cometem crimes graves, mas o eleitor tem o direito de saber se a medida realmente reduz a violência. Não podemos transformar uma questão complexa em uma promessa fácil.
Os candidatos ao Governo do Ceará, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa precisam apresentar propostas concretas para a segurança. E os municípios também têm responsabilidade, especialmente em áreas como iluminação pública, urbanização, prevenção da violência, assistência social e proteção às mulheres.
A eleição de 2026 deveria ser uma oportunidade para superar a velha fórmula de campanha baseada no medo e na indignação.
O eleitor não precisa apenas ouvir quem promete ser mais duro. Precisa saber quem tem o melhor plano para tornar o Ceará mais seguro.
Segurança pública é direito do cidadão e obrigação do Estado. Por isso, não pode ser tratada como slogan eleitoral.
Em 2026, que os candidatos apresentem propostas. Que debatam números. Que expliquem estratégias. Que sejam cobrados por resultados.
Porque, no fim, segurança pública não se faz com discursos: faz-se com planejamento, inteligência, prevenção, investigação e presença efetiva do Estado.