27 de junho de 2026
p.11 - Izolda Cela relembra episódio da sucessão de 2022 e aponta Ciro Gomes

Izolda Cela | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em entrevista ao podcast As Cunhãs, a ex-governadora do Ceará, Izolda Cela, fez uma reflexão sobre os bastidores da disputa interna do PDT em 2022, quando foi preterida pelo partido na escolha do candidato ao Governo do Estado.

Apesar de estar no exercício do cargo naquele momento, após a saída de Camilo Santana para concorrer ao Senado, Izolda não recebeu o apoio da cúpula pedetista e viu o partido optar pela candidatura de Roberto Cláudio, decisão fortemente defendida por Ciro Gomes, que nos bastidores articulou para o partido preterir Izolda e apontar Roberto Cláudio.

Ao fim Roberto Claudio foi candidato em 2022 e perdeu no primeiro turno para elmano de Freitas. Em 2024 foi a vez do PDT perder a eleição em Fortaleza com a derrota  em primeiro turno de José Sarto, candidato de Cláudio e Ciro Gomes.

Durante a conversa, Izolda afirmou que o processo foi marcado por diversos fatores políticos e destacou que foi acertado pelas  três principais lideranças do grupo:  Cid Gomes, Ciro Gomes e Camilo Santana que o nome seria de Izolda Cela para a disputa ao Governo do Ceará naquele ano de 2022. Ela disse que não participou dessas reuniões mas ouviu o mesmo relato da decisão de Cid Gomes e Camilo Santana que o nome dela tinha sido acertado entre os três, mesmo com ponderações de Ciro Gomes.

Izolda relatou ainda que na penúltima reunião Cid Gomes pediu para Camilo já anunciar o nome de Izolda ao governo e aí ouviu uma ponderação de Ciro Gomes:

“Para que isso? A Izolda vai assumir já com essa pecha, esses holofotes, (…) deixa ela assumir ela assume fica mais tranquila, e na sequencia, teve inclusive uma fala assim ( do Ciro) vocês não confiam não?”

Segundo izolda a situação ficou acertada, mas, na sequencia, na última reunião dos três, foi diferente:

– “na ultima rodada de conversa daquele momento aí já estressou os sinais de rompimento, no sentido de não mais aceitar o meu nome e colocar o nome do Roberto Cláudio”.

O episódio provocou uma das maiores crises da história recente do PDT no Ceará, aprofundando o rompimento entre PDT e PT e contribuindo para a saída de Izolda da legenda. Posteriormente, ela deixou o partido e, mais tarde, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro. A decisão do PDT de não lançar sua candidatura chegou a ser classificada por lideranças petistas como uma atitude “machista” e “autoritária”.

Na entrevista, Izolda evitou adotar um tom de ressentimento, mas afirmou que o episódio trouxe importantes lições para ela. Disse ainda que entendeu quando Cid Gomes se recolheu pelo fato dele ser o líder , mas  rompimento se dar entre ele e seu irmão querido (Ciro Gomes) e entendeu também pelo fato de Camilo Santana não poder ter avançado mais já que decisão da candidatura dela ficou na mão do PDT e Camilo e Cid não tinham como intervir.

Ao ser questionada que Ciro Gomes preteriu seu nome por não confiar nela ou por considerá-la muito petista, Izolda Cela rebateu:

– “Muito me admira essa afirmação de quem me conhece e conhece a minha história e a minha escola na gestão publica que foi em Sobral sob a liderança do Cid Gomes que tenho minha referencia muito forte. Pois foi com o Cid Gomes que eu tive a oportunidade de ter aquela experiência na Secretaria de educação em Sobral e em seguida ir para o Estado e ser Secretária de Educação do Ceará com aquele modelo de liderança. Na verdade, foi com os convites do Cid Gomes que me chamou e me convidou para compor a chapa de vice  com Camilo Santana”.

E confirmou que em 2018 votou em Ciro Gomes para presidente.

Ela afirmou às três entrevistadores do podcast que tanto Cid Gomes como Camilo Santana em conversas com ela separadamente contaram a mesma história: que tinha acertado a candidatura dela ao Governo do Ceará, mas depois Ciro Gomes resolveu romper e terminou por indicar Roberto Cláudio.

O caso da sucessão estadual de 2022 tornou-se um marco na política cearense, sendo apontado por analistas como um dos fatores que contribuíram para o racha entre os grupos liderados por Ciro e Cid Gomes, além da reorganização das forças políticas que resultou na eleição de Elmano de Freitas.

Ciro Gomes diz em entrevistas que foi traído. Já Izolda Cela mostrou uma outra história bem diferente.

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