23 de maio de 2026
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Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

A pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) tem enfrentado uma sequência de desgastes políticos, que inclui a saída de integrantes da equipe, o afastamento de até então apoiadores e críticas de antigos aliados do grupo liderado pelo pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os episódios ocorrem em meio à repercussão do caso envolvendo áudios vazados de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — pivô do escândalo do Banco Master — e ao esforço do parlamentar para consolidar a pré-candidatura ao Palácio do Planalto como representante do bolsonarismo nas eleições de 2026.

Coordenador de comunicação deixou a pré-campanha

O mais recente movimento ocorreu com a saída de Marcello Lopes, que coordenava a comunicação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O publicitário deixou o cargo na quarta-feira, 20, em meio à repercussão negativa do caso Vorcaro, divulgado pelo portal The Intercept Brasil.

“O publicitário, que é amigo pessoal do parlamentar, decidiu, neste momento, focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar”, dizia o comunicado sobre a saída da pré-campanha.

Para o lugar de Lopes foi anunciado Eduardo Fischer, que passa a integrar a equipe responsável pela estratégia eleitoral do senador. A mudança ocorreu em um momento de pressão sobre a pré-campanha, que busca conter danos à imagem do pré-candidato. Embora aliados tenham tratado a troca como um ajuste, a saída de um dos principais responsáveis pela comunicação reforçou a percepção de turbulência nos bastidores.

Silas Malafaia evita apoio antecipado

Outro sinal de desgaste veio do pastor Silas Malafaia, um dos principais aliados da família Bolsonaro no segmento evangélico. Após novas revelações sobre a relação de Flávio Bolsonaro (PL) com Vorcaro, Malafaia passou a adotar um discurso mais cauteloso e admitiu que o apoio dos evangélicos à candidatura do senador pode ser afetado.

“Se tiver comprovação de que recebeu dinheiro para mais coisa que o filme, será difícil apoiar; mas, se não tiver, vamos com Flávio”, afirmou o pastor. A declaração marcou uma mudança de tom em relação às manifestações anteriores, quando ele vinha defendendo publicamente o senador e atribuindo as denúncias a supostos “vazamentos seletivos” contra a direita.

Nos bastidores, a cautela de Malafaia ganhou força após Flávio admitir que, além de solicitar recursos a Vorcaro para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), visitou o banqueiro após sua prisão no fim de 2025. A nova revelação provocou desconforto entre aliados do PL e ampliou as dúvidas sobre a viabilidade da pré-campanha.

Fator Tarcísio

A relação entre Malafaia e a postulação de Flávio já havia passado por momentos de tensão. Antes da definição do nome do senador como presidenciável, o pastor demonstrava preferência por uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na vice.

Ciro Nogueira evita blindagem e prega cautela

Outro sinal de cautela dentro do campo da direita veio do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI). Embora siga tratando Flávio Bolsonaro como um nome viável para a disputa presidencial, o presidente nacional do PP evitou sair em defesa do aliado diante das denúncias envolvendo o caso Vorcaro.

 dirigente também indicou que a federação formada por PP e União Brasil ainda não definiu posição sobre eventual apoio à candidatura de Flávio. Segundo ele, o grupo pretende aguardar o avanço das investigações, os esclarecimentos do senador e o comportamento das próximas pesquisas eleitorais antes de tomar uma decisão.

Apesar de ressaltar que Flávio continua sendo um pré-candidato competitivo, Nogueira mencionou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como alternativa caso o projeto presidencial do filho de Jair Bolsonaro não avance.

Ciro Nogueira e Vorcaro

Segundo investigação da Polícia Federal — divulgadas em maio deste ano — o próprio Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro recebia mesada de até R$ 500 mil e tinha viagens de luxo pagas por Vorcaro.

Por meio de nota enviada à imprensa, a defesa do senador Ciro Nogueira repudiou o que chamou de “ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

Os advogados afirmam que Ciro pretende contribuir com a Justiça, “a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”. Ainda na nota, as medidas contra o senador são chamadas de “precipitadas”.

Romeu Zema se afasta e lança projeto próprio

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também teceu críticas ao também presidenciável Flávio Bolsonaro. Embora tenha mantido proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro em diferentes momentos, Zema vem intensificando a construção de uma candidatura própria ao Palácio do Planalto.

Zema reagiu nas redes sociais à revelação de que Flávio trocou mensagens com Vorcaro pedindo dinheiro para ajudar a financiar a produção de um filme sobre a vida do pai. “Flávio Bolsonaro, ver você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. Para mudar o Brasil, é preciso credibilidade”.

Nesta quarta-feira, 20 Zema voltou a criticar a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Zema, “banqueiro bandido” vai atrás de quem o recebe bem. “Apesar de morar em Belo Horizonte, que é a mesma cidade do banqueiro bandido, eu nunca tive uma reunião com ele, nem oficial, nem informal”, disse.

Zema acrescentou: “Não tenho ele na minha agenda de telefone. Me parece que esse banqueiro bandido foi atrás de pessoas para quem ele via que seria bem recebido”, declarou a jornalistas, após ser sabatinado na 27ª Marcha dos Prefeitos, em Brasília.

Zema reafirmou que não comporá chapa com Flávio e que pretende levar sua candidatura à Presidência “até o fim”. Disse, porém, que apoiará “quem for” a um eventual segundo turno contra o PT, dando a entender que um endosso a Flávio não estaria descartado.

Em resposta, Flávio afirmou que Zema se precipitou ao atacá-lo. Em entrevista para a CNN Brasil, Flávio disse que Zema cometeu um “equívoco” e pode estar arrependido”, disse. “Acho que o Zema se precipitou, ele não me deu nem a oportunidade de falar o que era, ele já partiu para dentro de um estúdio para gravar um vídeo e se aproveitar eleitoralmente”, concluiu o senador.

Flavio disse que tentou ligar para o pré-candidato do Novo à Presidência, mas que não teve retorno. O cenário coloca Zema em rota de disputa pelo mesmo eleitorado que Flávio tenta herdar, reduzindo as chances de uma unidade automática da direita em torno do senador.

Renan Santos rompe e ataca Flávio Bolsonaro

As críticas mais duras vieram de Renan Santos (Missão), pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão. Em um vídeo crítico a Flávio, Renan afirma que o senador é “peça do centrão” e que foi o primeiro a chamar Flávio de “ladrão”, lembrando da investigação por suspeita de “rachadinha” no gabinete enquanto ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Flávio Bolsonaro é mais uma peça numa engrenagem. Ele faz parte de um partido chamado Partido da Corrupção.

E esse partido inclui, gente do PT, do Centrão, do STF, do próprio bolsonarismo. Todas essas pessoas brigam em público, mas no privado fazem parte dos mesmos escândalos”, declarou.

Em publicações no X, Santos vem criticando Flávio Bolsonaro e outros pré-candidatos da direita ao Planalto.

Durante ato realizado em Fortaleza em fevereiro deste ano, Renan atacou diretamente o senador e a família, acusando-os de terem abandonado a mobilização conservadora construída nos últimos anos. Em discurso a apoiadores, afirmou que os Bolsonaro trocaram o projeto político da direita por interesses pessoais.

“Trocaram os milhões de pessoas que saíram às ruas pelo impeachment de Dilma (Rousseff) por uma casa em uma mansão num condomínio fechado ao lado da casa de um miliciano”, disse Santos, acrescentando: “Esse é o Flávio Bolsonaro, ele matou a nossa revolução, e nós vamos matá-lo politicamente”, disse à época.

Desafio

Apesar dos reveses, Flávio Bolsonaro segue como um dos principais nomes cotados para representar o bolsonarismo na disputa presidencial de 2026.

O desafio, porém, será manter unificada uma base política que começa a apresentar sinais de fragmentação antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral.

fonte: jornal O Povo

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