
Por Assislan de Paiva, jornalista
A Secretaria da Cultura de Juazeiro do Norte, inaugurou no dia 24 de março, o Memorial Padre Cícero como parte das festividades da semana de alusão ao padre, porém somente no último dia 20, dia da missa campal no largo do Socorro é que suas portas foram oficialmente abertas para a visitação do museu e outras atividades de mesmo tema. Inaugurado em 22 de julho de 1988, o espaço reúne um acervo que vai desde esculturas, telas, objetos, utensílios pessoais à móveis e pertences do sacerdote, que hoje somados ultrapassam 1.500 em exposição e em um todo 2.000, levando em conta a reserva que o próprio o museu dispõe.
Em conversa com Karla Lima, historiadora e funcionária da casa, o Memorial tem sido um lugar de visitação que inclui alunos, romeiros, visitantes, turistas e pesquisadores que ao longo do ano se somam aos mais de 150 mil, quando esse número se torna maior em épocas de romarias e quando estas mesmas romarias são maiores a depender do ano vinculado a outros fatores. Foi possível perceber que diversas peças passaram e estão passando por reformas e cuidados de conservação para garantir a durabilidade e a visualidade original, caso este que vem acontecendo com diversos documentos, que estão sendo restaurados por alunos do curso de história da Universidade Regional do Cariri.
No salão é pelo olhar do visitante que a visita vai se tornando um almanaque de perguntas que vão sendo respondidas pelos profissionais do museu através do sistema de mediação. Ressalta-se que ali encontram-se diversas doações que vão desde a beata Mocinha, o padre Azarias Sobreira, cujo pai era amigo pessoal do Padre Cícero e foi o primeiro a defender o nome do vigário publicamente, sendo o confessor pessoal do ‘santo’ nordestino, até trabalhos completos de obras óleo sobre tela, do sr Marcus Jussier, figura histórica de época.
Também há outras assinaturas como do seu Zumbim, que tem sua autoria no oratório, e uma das mais peculiares curiosidades: um quadro todo esculpido em madeira, que faz referência à igreja que seria construída no horto, cuja matéria prima é oriunda de um pé de tambor, cortado exatamente do local onde foi erguida a estátua na colina do Catolé. Cadastrado no Sistema Nacional de Museus, a Fundação que o mantém concorre a valores e repasse anuais viabilizam as demandas sobre custeio. Karla evidencia, quando perguntada que melhor parte da história e das peças atrai o público, ela afirma que “eles têm muito interesse no fenômeno da hóstia. Enquanto peças, eles gostam muito do canhão e do polyphon.” Sobre este ganhão, totalmente restaurado, foi fundido a partir de 322kg de moeda, que após sua restauração e composição com outras peças, chega a pesar entre 600 e 650kg.
O museu é administrado pela Fundação Memorial Padre Cícero que também teve em seu histórico gestores e grandes nomes como Abraão Batista, Dr Geraldo Menezes Barbosa, Renato Casemiro, dentre outros desbravadores da história da cidade. Atualmente, é gerido pela professora Tereza Siqueira, que aguarda a conclusão da sonorização e iluminação do auditório para desenvolver projetos de arte para agregar à programação de todo o espaço. Karla conclui ao falar de um portfólio elaborado pela ex diretora do Museu do Ceará, Cristina Rodrigues Holanda, que reúne tanto a história quanto o acervo fotográfico das peças e que está disponível na biblioteca na forma física, quanto no instagram, de forma digital, bem como todas as fotografias das relíquias que compõem o Memorial Padre Cícero. Sem dúvidas, é um passeio rico em cultura, arte, história e conhecimento.
SERVIÇO
Visitação gratuita: segunda à sexta-feira
Trabalha com agendamento para grupos
8h às 17h
Finais de semana: em estudo para retorno