
foto: Reprodução/Redes Sociais (Imagem Ilustrtiva)
Neste edição o jornal Leia Sempre Brasil analisamos a crise das salas de cinema no Brasil, com foco no interior do Ceará, onde os problemas são mais graves. Além de fatores como o alto custo e a concorrência do streaming, destaca-se a falta de salas em muitas cidades do Cariri, o que limita o acesso à cultura. Em Juazeiro do Norte, único polo regional com estrutura, as salas localizadas no Cariri Shopping estão fechadas há meses, sem explicações claras. O silêncio da administração, inclusive da Orient Cinemas, tem gerado críticas e insatisfação da população. O texto aponta que, apesar da forte economia local e do grande fluxo de visitantes, a ausência de cinemas revela descaso com a cultura e um vazio significativo na oferta de lazer na região.
Economia forte e cultura ignorada: o caso das salas de cinema no Cariri
Por Tarso Araújo
As salas de cinema no Brasil enfrentam uma combinação de dificuldades estruturais, econômicas e culturais que têm impactado diretamente o público e a sustentabilidade do setor. Não é um problema único — é um conjunto de pressões que se acumulam.
Um dos principais entraves é o custo. Ir ao cinema ficou caro para boa parte da população. Ingressos, pipoca e bebidas muitas vezes tornam a experiência inacessível, especialmente fora dos grandes centros com promoções ou meia-entrada mais difundida. Isso afasta o público regular e transforma o cinema em um lazer ocasional, não frequente.
Outro problema importante é a concorrência com plataformas de streaming como Netflix, Amazon Prime Video e Disney+. Esses serviços oferecem conveniência, preço relativamente baixo e um catálogo amplo, permitindo que as pessoas assistam a filmes em casa, no seu tempo. Após a pandemia de COVID-19, esse hábito se consolidou ainda mais.
Há também uma questão de concentração geográfica. Muitas cidades pequenas e médias — especialmente no interior como várias cidades no Cariri — simplesmente não têm salas de cinema ou contam com estruturas precárias. Isso limita o acesso cultural e cria um Brasil onde ver filmes no cinema ainda é um privilégio urbano.
No interior do Ceará, os problemas das salas de cinema são ainda mais evidentes — e, em alguns casos, mais estruturais do que nos grandes centros. A questão aqui não é só “competir com o streaming”, mas garantir que o cinema exista como opção.
Um primeiro ponto é a escassez de salas. Em cidades do Cariri, como Barbalha e Crato, a oferta é zero, não existe. Já em Juazeiro do Norte, que funciona como polo regional, há mais estrutura, mas ainda insuficiente para atender toda a demanda da região. Em outras cidades menores, simplesmente não há cinema — o que cria um vazio cultural.
O caso de Juazeiro do Norte precisa ser debatido. As únicas salas de cinema funcionam no Cariri Shopping e estão fechadas há quase seis meses. Nesse período o cinema lançou obras importantes, e os cinéfilos e o público caririense simplesmente perderam tais lançamentos. Fica um espaço vazio, uma carência em nossa região.
Mao o pior disso tudo é a postura do Cariri Shopping proprietária das salas de cinema geridas pela Orient Cinemas. Desde quando as salas foram fechadas nada foi divulgado à sociedade. Um silêncio no shopping se notou.
Entramos nesta semana no site do Cariri Shopping e da Orient Cinemas e nada sobre as salas de cinema em Juazeiro do Norte.
Acompanhamos ainda nas redes sociais vários perfis locais reclamando do fechamento das salas, da falta de informações e detalhes se as salas voltam e quando. Nada até agora.
Entramos em contanto com a assessoria de imprensa do shopping e recebemos uma “nota” oficial sem nada dizer:
Segue nota do Cariri Shopping
O Shopping informa que as salas de exibição da Orient Cinemas encontram-se fechadas para manutenção, que estão sendo feitas por parte do operador.
Pronto!!! Uma resposta a uma solicitação nossa acerca de informações sobre o funcionamento das salas. Uma resposta que nada diz, nada informa. E mostra a nosso ver o total desrespeito da direção do Cariri Shopping com a cultura local, e com o direito democrático de termos em nossa região salas de cinema que atendam as necessidades da nossa sociedade. Cultura é fundamental, é importante sim.
Perguntas pertinentes: qual prazo que as salas vão ficar fechadas? Qual o prazo de abertura? O que aconteceu para esse fechamento?
A Região do Cariri tem mercado para essas salas. A economia de Juazeiro do Norte é uma das mais dinâmicas do interior do Nordeste — e o mais interessante é que esse crescimento não vem de um único setor, mas de uma combinação de comércio forte, eventos culturais e religiosos, serviços, turismo religioso e expansão urbana acelerada. E segundo dados oficiais dependendo do ano, Juazeiro do Norte recebe cerca de 3 milhões de pessoas que aqui vem para desfrutar dos nossos equipamentos, paisagens e serviços.
Com uma força econômica dessas, causa estranheza a postura do Cariri Shopping em não resolver com celeridade o problema das salas de cinema e não querer se dar ao trabalho em explicar o porque dessa paralisação das salas no shopping.
Lembrando que neste dia 25 de abril o shopping inaugurava em 2014 as salas de cinema atuais fechadas posteriormente por conta da pandemia durante um breve período, mas reabertas, se não me falha a memória em 2021. Nesse aniversário as salas continuarão fechadas.
Hora do setor empresarial no Cariri debater a necessidade de novas estruturas de shopping center na região e mais salas de cinema. Não podemos mais ficar privados ou reféns das atuais salas insuficientes para nossa região.
Se o shopping quiser deixar mais claro o que está acontecendo e esclarecer os clientes do shopping e à sociedade caririense basta enviar texto com os devidos esclarecimentos.