
Fortaleza aparece no topo de um ranking preocupante: a capital cearense lidera entre as cidades brasileiras com maior número de adolescentes que relatam sentimentos de abandono e tristeza frequente.
Os dados são da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a partir da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada nesta semana. O levantamento ouviu estudantes de 13 a 17 anos, da rede pública e privada.
Segundo o estudo, 32,5% dos jovens na Capital afirmaram sentir que “ninguém se preocupa com eles” — o maior índice entre todas as capitais do país. O cenário é ainda mais acentuado entre meninas e alunos da rede pública.
Além disso, Fortaleza também lidera quando o assunto é tristeza persistente. Cerca de 37,1% dos estudantes disseram ter se sentido tristes “sempre” ou “na maioria das vezes” no último mês, número bem acima da média nacional.
O levantamento reforça uma diferença importante entre meninos e meninas. Enquanto entre os garotos os índices são mais baixos, entre as adolescentes os percentuais disparam, chegando a quase metade das entrevistadas em alguns indicadores.
Outro dado que chama atenção é o sentimento de isolamento. Parte dos jovens relatou não ter amigos próximos, o que amplia o quadro de vulnerabilidade emocional.
Especialistas apontam que esse cenário pode estar ligado a fatores como o impacto da pandemia, mudanças sociais e dificuldades no ambiente familiar e escolar. A adolescência, por si só, já é uma fase marcada por transformações intensas, o que exige maior atenção.
A pesquisa também identificou que mais de um quinto dos adolescentes em Fortaleza já pensou que a vida não vale a pena — índice superior à média nacional.
Diante desse quadro, cresce o alerta para a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental, além do fortalecimento de redes de apoio dentro e fora das escolas.
A PeNSE é realizada desde 2009 e serve como base para orientar ações na área da saúde e educação, acompanhando hábitos, comportamentos e fatores de risco entre jovens brasileiros.