Nossa Senhora Aparecida soma 1 milhão de posts e tem 3ª maior repercussão política de 2026

As publicações sobre Nossa Senhora Aparecida somaram 977,6 mil registros em 55 horas nas redes sociais e produziram 8,5 milhões de interações, entre curtidas, comentários e compartilhamentos. A mobilização foi impulsionada pela circulação de informações que associavam o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma proposta para retirar da santa o título de padroeira do Brasil, ligação que não corresponde à autoria nem à situação do projeto citado nas postagens. A candidatura de Flávio pelo PL foi registrada e validada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo o DX, a repercussão nas primeiras 24 horas ficou atrás de dois outros episódios acompanhados pelo instituto: o embate envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, no início de setembro, e a divulgação, em maio, de áudios relacionados a Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme “Dark Horse”. Em relatório sobre o primeiro desses casos, o próprio instituto contabilizou mais de 1 milhão de menções em 24 horas.
O episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida ganhou força a partir da recuperação do Projeto de Lei 2623/2007. A proposta foi apresentada pelo então deputado federal Professor Victorio Galli, à época no PMDB de Mato Grosso, e pretendia alterar a Lei 6.802/1980 para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A Câmara dos Deputados registra que o texto foi rejeitado quanto ao mérito e arquivado em 22 de agosto de 2008.
Como o assunto ganhou alcance
Segundo monitoramento feito pela campanha de Flávio e apresentado ao TSE, o primeiro conteúdo identificado pela equipe como ponto de partida da circulação foi publicado às 21h50 de quarta-feira (23) pelo influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, responsável pelo perfil “Dilma Bolada”. Por se tratar de um levantamento produzido pela própria campanha, a identificação da postagem como origem da mobilização deve ser entendida como a versão apresentada pela equipe do candidato.
Na publicação, Monteiro escreveu: “Católico não vota em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil. Tudo com Jesus. Nada sem Maria. E Bolsonaro na cadeia!”.
A repercussão aumentou na quinta-feira (24), quando a GloboNews abordou no programa Em Pauta uma suposta movimentação de setores evangélicos relacionada ao título de padroeira e uma possível reação da Igreja Católica. Horas depois, o canal fez uma correção, esclareceu que a referência era ao projeto de 2007, arquivado em 2008, e pediu desculpas pelo erro.
Na sexta-feira (25), Mendonça determinou que plataformas removessem publicações que apresentassem como verdadeira a atribuição ao candidato. A decisão provisória estabeleceu multa diária de R$ 50 mil por provedor em caso de descumprimento e ordenou atuação preventiva das plataformas contra a reprodução do conteúdo, preservando material jornalístico e publicações destinadas à sua contestação.
O assunto voltou a apresentar um pico de publicações neste sábado, segundo o DX. Na análise do instituto, parte da conversa passou então da controvérsia religiosa para discussões sobre a decisão judicial, liberdade de expressão e remoção de conteúdos.
Perfis políticos e divisão do debate
Em um recorte específico de 345 publicações feitas por perfis políticos monitorados, o Instituto Democracia em Xeque atribuiu 66% dos posts a atores classificados como de esquerda, 33% aos classificados como de direita e 1% à imprensa. Quando consideradas as interações geradas por esse conjunto, os perfis de esquerda responderam por 70% e os de direita, por 30%.
Um segundo eixo, relacionado à mobilização de evangélicos e ao projeto de 2007, reuniu 17% das mensagens. Nesse grupo, 88% das publicações foram atribuídas a perfis classificados como de esquerda e 10% aos classificados como de direita. Nos dois conjuntos, a imprensa respondeu pelos percentuais restantes, segundo o levantamento.
Outro grupo, equivalente a 11% das publicações, recuperou episódios ocorridos no Santuário Nacional de Aparecida durante a eleição de 2022. O DX atribuiu 78% desse material à esquerda e 22% à direita.
A reação de perfis de direita, que concentrou negativas de Flávio e críticas à cobertura da Globo, correspondeu a 20% das publicações mapeadas no recorte. Nesse conjunto, 96% dos posts foram classificados pelo instituto como provenientes da direita, 3% da esquerda e 1% da imprensa.
Repercussão na Secom
A discussão também alcançou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. O coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom, George Marques da Silva e Silva, republicou na sexta-feira uma mensagem que defendia a continuidade do compartilhamento do conteúdo mesmo após a retratação da GloboNews. O governo federal confirma que Marques ocupa o cargo na estrutura da secretaria.
“Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte”, dizia a publicação republicada e posteriormente apagada.
Marques declarou posteriormente ao Poder360 que não concordava com o conteúdo e afirmou que, caso tenha feito o compartilhamento, isso teria ocorrido por engano durante uma sequência de republicações. A campanha de Flávio apresentou notícia-crime e pediu a prisão preventiva do coordenador da Secom, além de outras medidas. Os pedidos representam a posição da defesa do candidato e dependem de decisão das autoridades competentes.
fonte: Brasil 247