Bispos católicos defendem soberania e orientam fiéis para eleições de 2026

Bispos católicos do Amazonas e de Roraima divulgaram vídeo com orientações aos fiéis para as eleições de 2026. Na gravação, os religiosos defendem a soberania do Brasil, da Amazônia e das riquezas nacionais, destacam a importância da democracia e pedem que os eleitores considerem, na escolha dos candidatos, aspectos como o respeito aos direitos da população, à natureza e ao bem comum.
O vídeo foi publicado pelo Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reúne dioceses do Amazonas e de Roraima. Os religiosos não citam nominalmente candidatos ou partidos.
A manifestação ocorre em meio à campanha eleitoral e a um período em que a defesa da soberania nacional também passou a ocupar espaço relevante no discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
“Não temos partido, mas temos uma causa: o Evangelho e os pobres. Vote pela democracia”, afirma no vídeo o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus.
O religioso também reforça a importância da participação eleitoral. “Não deixe de votar. É um dever que garante o direito de todos. É a garantia da nossa democracia”, diz.
Soberania e Amazônia
Em outro trecho, o bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, dom Frei Samuel Ferreira, chama atenção para a soberania nacional e para a preservação dos recursos brasileiros.
“É importante a soberania do Brasil, a soberania da nossa Amazônia, a soberania de nossas riquezas e bens. A democracia, portanto, é um bem precioso a ser cuidado e garantido”, afirma.
A mensagem relaciona, portanto, a escolha dos representantes nas urnas a temas como democracia, soberania, direitos da população, proteção ambiental e preservação das riquezas nacionais.
Os bispos também fazem uma recomendação negativa aos eleitores: não votar em candidatos com “ficha suja” ou histórico de corrupção e má gestão pública.
Religião e eleições
Outro ponto destacado no vídeo é o uso da religião durante a campanha eleitoral. Os bispos alertam os fiéis contra o que classificam como “manipulação religiosa” para pedir votos.
“As igrejas não são currais eleitorais”, afirma dom Guilherme Werlang, bispo emérito de Lages (SC) e vigário paroquial no Amazonas.
A orientação é para que os eleitores não escolham candidatos simplesmente porque alguém utiliza o nome de Deus ou a estrutura religiosa para influenciar o voto.
O conteúdo divulgado pelo Regional Norte 1 segue manifestação semelhante feita anteriormente pelo arcebispo emérito de Aparecida, dom Orlando Brandes. Durante uma missa no Santuário Nacional de Aparecida, em 7 de setembro, ele defendeu a soberania nacional e pediu que os fiéis considerassem o bem comum ao escolher seus candidatos.
“Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, deve mandar aqui. Aqui é nossa casa, nossa pátria”, afirmou Brandes na ocasião. Ele também orientou os fiéis a escolherem candidatos de acordo com a própria consciência, conhecimento e pensando no bem comum.
O que os bispos pedem
O vídeo dos bispos do Norte apresenta uma série de orientações aos eleitores, sem indicar nomes ou siglas. Entre os principais pontos estão:
- votar e considerar o exercício do voto como uma garantia da democracia;
- escolher candidatos que defendam a democracia e os direitos da população;
- considerar a preservação da natureza;
- valorizar a soberania do Brasil, da Amazônia e das riquezas nacionais;
- evitar candidatos com histórico de corrupção, ficha suja ou má gestão pública;
- não permitir que a religião seja utilizada como instrumento de pressão ou manipulação eleitoral;
- exercer o voto de acordo com a consciência e tendo em vista o bem comum.
A manifestação ocorre durante a campanha eleitoral de 2026. A defesa da soberania é também um dos temas presentes no discurso de Lula, que, em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
A coincidência temática, porém, não significa que os bispos tenham declarado apoio ao presidente ou a qualquer outro candidato: o vídeo não menciona nomes de postulantes à Presidência ou a outros cargos.
Nossa Senhora Aparecida
Nesta semana, difundiu-se nas redes que o senador Flávio Bolsonaro (PL) apoiaria a proposta de retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil, o que ele negou. O tema dominou o debate digital na sexta-feira, 26, segundo levantamento da Palver, empresa de inteligência e análise do ambiente digital. O estudo mostra que o tema viralizou nas redes socais e mensageria, atingindo o pico de 735 menções a cada 100 mil mensagens nas redes sociais na tarde da sexta.
FONTE: jornal O Povo