31 de agosto de 2026
Profissional de saúde prepara material para acompanhamento de diabetes

Imagem: Samuel Pinheiro/Revista Cariri

Classificação reconhece forma de diabetes associada à desnutrição crônica, mas critérios diagnósticos e orientações de tratamento ainda estão em construção.

O chamado diabetes tipo 5 passou a designar uma forma da doença associada à desnutrição crônica, especialmente durante fases decisivas do desenvolvimento. A classificação foi reconhecida pela Federação Internacional de Diabetes em 2025 e busca dar visibilidade a pacientes que podem ser confundidos com casos dos tipos 1 ou 2. O nome é recente, mas a condição é observada há mais de 70 anos.

A principal característica é uma deficiência importante de insulina relacionada ao comprometimento do desenvolvimento do pâncreas. A hipótese estudada é que a falta prolongada de nutrientes, sobretudo na vida intrauterina, infância ou adolescência, reduza a formação das células beta, responsáveis pela produção do hormônio. Com menos insulina, a glicose se acumula no sangue e provoca hiperglicemia.

Por que o diagnóstico pode ser confundido

Pessoas jovens e magras podem apresentar tanto diabetes tipo 1 quanto tipo 5, o que torna a distinção difícil. No tipo 1, o sistema imunológico destrói as células produtoras de insulina. No tipo 5, a origem está associada à desnutrição e costuma haver alguma produção residual do hormônio. O diabetes tipo 2, por sua vez, é marcado principalmente pela resistência à insulina e tem relação frequente com excesso de peso.

A Sociedade Brasileira de Diabetes afirma que o país ainda não possui dados sobre a prevalência do tipo 5. A Federação Internacional estima que entre 20 milhões e 25 milhões de pessoas possam viver com a condição no mundo, sobretudo em países de baixa e média renda da Ásia e da África. Um grupo internacional trabalha na elaboração de critérios formais, diretrizes terapêuticas, registro de pesquisa e materiais para profissionais.

Especialistas brasileiros discutem a incorporação do histórico nutricional ao rastreamento, além de idade, índice de massa corporal e exames de glicose. Parâmetros como idade inferior a 50 anos e IMC abaixo de 22 kg/m² aparecem no debate, mas ainda não são critérios definitivos. A avaliação deve ser feita por profissionais de saúde, e o reconhecimento da categoria não autoriza autodiagnóstico ou alteração de medicamento.

O tratamento pode exigir mais do que controle da glicose. A recuperação nutricional, com oferta adequada de calorias, proteínas e micronutrientes, pode ser parte central do cuidado. Uso inadequado de insulina pode elevar o risco de hipoglicemia em pessoas com pouca reserva energética, enquanto glicose elevada por longo período ameaça olhos, rins, nervos, coração e circulação.

O debate expõe uma dimensão social da doença: pobreza e desnutrição não apenas aumentam vulnerabilidades, mas podem influenciar o funcionamento do organismo por toda a vida. Até que os critérios internacionais sejam concluídos, a orientação segura é ampliar pesquisa e formação profissional, investigar o histórico clínico e nutricional e evitar tratar a nova nomenclatura como diagnóstico pronto.

Com informações da Revista Cariri

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *