
Há pessoas que atravessam o tempo,
não pela força do cargo,
nem pelo brilho dos holofotes,
mas pela grandeza das ideias
e pela generosidade de ensinar.
Assim foi Lejeune Mirhan.
Professor por vocação,
intelectual por compromisso,
militante das causas humanas,
semeador de conhecimento,
fez da palavra uma ponte
entre o saber e a esperança.
Hoje, a sala de aula silencia,
os livros parecem mais pesados,
e a saudade ocupa o lugar
onde antes ecoavam
suas reflexões e seu entusiasmo.
Mas os mestres verdadeiros
não partem por inteiro.
Permanecem em cada aluno,
em cada leitor,
em cada consciência despertada,
em cada sonho de um mundo
mais justo e solidário.
A morte encerra a caminhada,
mas não apaga o legado.
Porque quem ensina com o coração
continua vivo
na memória dos amigos,
no reconhecimento dos companheiros
e nas gerações que ajudou a formar.
Que a terra lhe seja leve,
querido professor.
E que o tempo transforme a dor da despedida
na certeza de que sua voz
continuará ecoando
onde houver conhecimento,
liberdade,
justiça
e esperança.
Em memória do amigo e professor Lejeune Mirhan.
Por Tarso Araújo