
Por Professora Maria Loureto de Lima
Daniel Walker e o grupo de pesquisadores do Cariri registraram que Eleutério chegou à comunidade do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto em agosto de 1926, ainda criança, acompanhando seu pai, Severino Tavares (um dos braços direitos do Beato José Lourenço).
Nos textos e compilações de depoimentos atribuídos à pesquisa de Walker sobre o Caldeirão, destacam-se passagens em que Eleutério narrava o cotidiano e o fim da comunidade:
O INÍCIO
“Eu fui com o beato para o Caldeirão. Em agosto de 1926. Nesse tempo não tinha nada. Era só as mata fechada. Eu e o meu pai, Severino Tavares.
A FUGA E O GUARDA DO TÚMULO
Após a violenta dispersão da comunidade pelas forças militares e a subsequente morte do Beato José Lourenço em 1946 no exílio em Pernambuco, Eleutério Tavares foi o responsável por trazer o corpo do Beato de volta a Juazeiro do Norte. Ele passou o resto de sua vida zelando voluntariamente pelo túmulo de José Lourenço no Cemitério do Socorro.
A MEMÓRIA DOLOROSA
Walker e outros entrevistadores frequentemente esbarravam na relutância inicial de Eleutério em reviver os massacres, registrando dele a célebre frase: “Relembrar o passado é sofrer duas vezes…”
A MORTE
Eleutério Tavares de Lira faleceu no dia 23 do mês de julho de 1993. Meu pai, um dos administradores do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto e do Sítio União.
Recorte de um dos escritos do amigo Prof. Daniel Walker sobre Eleutério Tavares de Lira, de quem era amigo.