28 de junho de 2026
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Foto: reprodução/redes sociais

O entreguismo e o complexo de vira-latas do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não têm limites e mostram que, de fato, ele sabe como agradar àqueles a quem dedica sua vassalagem. Em carta enviada ao parlamentar, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, agradece por Flávio colocar sua “equipe de transição” à disposição dos EUA se ele vencer as eleições.

Datada de 23 de junho, a correspondência do secretário dos EUA diz: “registramos seu otimismo em relação às eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição, caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar em cooperação com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro em prol de uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica de comércio e investimentos”.

Na correspondência enviada senador ao estadunidense no começo do mês, após sua visita à Casa Branca, Flávio escrevia: “Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéficos para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem”.

Rubio também agradece pela posição favorável de Flávio à classificação do CV e PCC como organizações terroristas imposta pelos EUA como forma de intervir no País em pleno ano eleitoral sob o pretexto de, diz o secretário, estarem “tomando medidas decisivas para proteger os povos brasileiro e americano do crime organizado transnacional”.

As cartas são parte de um jogo que envolve os interesses colonialistas de Trump e, em especial, de Flávio, o Vassalo. Para tentar pavimentar seu caminho ao Palácio do Planalto, o senador tem apelado ao intervencionismo do governo Trump sobre a soberania de seu próprio País.

Afinal, com o que mais ele pode contar? Com uma carreira política pífia, sempre apoiada em relações nada republicanas e sob a asa do pai golpista, Flávio nada tem a oferecer e muito ainda tem a explicar.
Além das rachadinhas, das casas milionárias compradas em dinheiro vivo e de sua relação próxima com milicianos, entre outros temas obscuros, até agora Flávio não esclareceu para que serviram, de fato, os R$ 60 milhões que recebeu de Daniel Vorcaro (provenientes das inúmeras fraudes do Banco Master) para supostamente financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Para piorar sua vida, Flávio ainda tem de administrar as desavenças familiares expostas por Michelle Bolsonaro.

Repercussão

A posição subserviente de Flávio Bolsonaro aos EUA, além de atentar contra o próprio país, atropela noções básicas de um sistema republicano e democrático ao ignorar o poder central vigente no País e a vontade das urnas, que só poderá ser verificada em outubro.

O episódio vem gerando reações de setores políticos e sociais que enxergam na troca de mensagens uma clara interferência na política brasileira, com resultados que podem afetar o País como um todo.

Conforme noticiou o jornalista Sérgio Roxo, em O Globo, “para um auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Rubio, o principal aliado da família Bolsonaro no primeiro escalão da gestão de Donald Trump, tenta, com a carta, dar a Flávio um status que o senador não tem”. Seria, no caso, uma forma de legitimar Flávio como interlocutor para tratar das contendas entre os dois países, como se não houvesse um governo constituído e devidamente eleito.

Líder do PCdoB na Câmara, a deputada federal Jandira Feghali (RJ) reagiu com indignação em suas redes sociais: “Diz o ditado que ‘presunção e água benta, cada um toma a que quer’. Pois Tariflavio, além de tramar contra o Brasil, agora coloca sua futura equipe de transição à disposição do governo dos EUA. Não dá para ser mais entreguista e subalterno que isso”.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) também se posicionou: “A resposta de Rubio a TariFlávio, além de provar que o traidor apoia sanções contra o Brasil, mostra que ele se comprometeu a criar uma equipe de transição para os interesses dos EUA, caso eleito. TariFlávio quer alugar o Brasil!”. E acrescentou: “É o maior crime de lesa-pátria da história nacional! Flávio Bolsonaro é pior que Silvério dos Reis”.

Para o vice-líder do governo na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), “Flávio Bolsonaro não é candidato a presidente do Brasil. Ele se coloca como candidato a gestor de uma Colônia de Trump na América Latina, quando ele oferece uma equipe de transição ao governo dos EUA, caso seja eleito. O contraste é gritante. Enquanto Lula fala de Defesa nacional e soberania, os Bolsonaros se entregam cada vez mais ao viralatismo e à subserviência”.

 

portal Vermelho

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