28 de junho de 2026
WhatsApp Image 2026-06-28 at 04.49.26

Foto: Gabriel BOUYS / AFP

A seleção da República Democrática do Congo teve um desfalque incomum na vitória por 3 a 1 sobre o Uzbequistão obtida neste sábado (27), pela última rodada do Grupo K da Copa do Mundo. Não foi um jogador, mas um dos torcedores mais conhecidos da equipe.

Michel Kuka Mboladinga, conhecido como “Lumumba Vea”, teve o visto de entrada nos Estados Unidos negado e não acompanhou a partida em Atlanta. A ausência chamou atenção porque Mboladinga se transformou em um símbolo da torcida congolesa ao assistir aos jogos completamente imóvel, com o braço erguido, reproduzindo a estátua de Patrice Lumumba, em Kinshasa.

Patrice Lumumba foi o primeiro-ministro do Congo após a independência e um dos principais líderes da luta anticolonial na África. Em 17 de janeiro de 1961, ele foi assassinado em uma conspiração que envolveu diretamente a CIA e autoridades da Bélgica durante a Guerra Fria.

Antes da negativa para entrar nos Estados Unidos, Mboladinga conseguiu acompanhar a derrota da RD Congo por 1 a 0 para a Colômbia, em Guadalajara, no México. Sua viagem ao Mundial, porém, já havia enfrentado atrasos devido às restrições impostas a viajantes vindos do Congo em razão de um surto de ebola.

A embaixadora da RD Congo em Washington, Kapinga Yvette Ngandu, afirmou à Reuters que espera que o torcedor consiga obter o visto caso a seleção avance às oitavas de final. “Espero que ele leve seu próprio tipo de apoio à equipe”, declarou.

Não é a primeira vez que Mboladinga enfrenta dificuldades burocráticas para acompanhar sua seleção. Em março, ele ficou fora do playoff mundial contra a Jamaica, disputado no México, por não conseguir emitir o visto a tempo, mesmo após viajar ao Quênia e à Etiópia em busca da documentação necessária.

A vitória sobre o Uzbequistão manteve os congoleses na competição: com quatro pontos, garantiram a classificação para a fase eliminatória.

A campanha também tem um peso histórico. Esta é apenas a segunda participação da RD Congo em uma Copa do Mundo e a primeira desde 1974, quando o país ainda competia como Zaire. O retorno ao torneio representa a oportunidade de apagar a lembrança da campanha desastrosa de 52 anos atrás, quando a equipe perdeu os três jogos, sofreu 14 gols e terminou a competição sem marcar uma única vez.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *