21 de junho de 2026
fome

Os grupos mais afetados pela fome no Brasil foram justamente os que registraram as maiores reduções da insegurança alimentar nos últimos dois anos. Dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) mostram que a insegurança alimentar grave caiu mais de 70% entre mulheres, pessoas negras e crianças entre 2022 e 2024.

O resultado oferece um retrato importante sobre a natureza da recuperação social em curso no país. Mais do que uma melhora média dos indicadores, os números sugerem que as políticas de combate à fome passaram a alcançar setores da população que tradicionalmente concentram os efeitos mais profundos da pobreza, das desigualdades raciais e das desigualdades de gênero.

Em lares chefiados por mulheres, a redução chegou a 77,7%. Entre domicílios liderados por mulheres negras, o índice alcançou 75,5%. A queda também foi registrada entre crianças e adolescentes menores de 18 anos (72,4%) e em lares chefiados por pessoas negras (73,4%).

O que os números mostram

Os dados apresentados pelo MDS reforçam uma constatação frequentemente apontada por pesquisadores da área: a fome não atinge todos os brasileiros da mesma forma.

No Brasil, ela possui endereço social, racial e de gênero. Mulheres, especialmente mulheres negras, costumam enfrentar maiores índices de insegurança alimentar devido à combinação de fatores como desigualdade salarial, sobrecarga de trabalho doméstico e maior responsabilidade pelos cuidados familiares. Crianças e adolescentes, por sua vez, são diretamente impactados pelas condições econômicas das famílias.

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Por isso, a queda mais intensa da fome nesses segmentos é vista pelo governo como um indicador de que as políticas públicas conseguiram chegar onde a vulnerabilidade era maior.

O retorno do Estado ao centro da política social

Ao apresentar os resultados, a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, destacou que a estratégia adotada pelo governo partiu do reconhecimento de que a fome está profundamente ligada às desigualdades estruturais do país.

“Esses revelam muito sobre o país que estamos construindo: um país que combate a fome ao mesmo tempo que combate às desigualdades”, ressaltou.

A retomada do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), em 2023, e a construção do Plano Brasil Sem Fome marcaram uma mudança de abordagem. Em vez de tratar a insegurança alimentar apenas como consequência da falta de renda, a política passou a articular ações de geração de emprego, valorização do salário mínimo, fortalecimento da proteção social e ampliação do acesso à alimentação adequada.

A lógica foi simples: se a fome afeta mais determinados grupos, o combate à fome também precisa levar em conta as desigualdades que atingem esses grupos.

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Redução da pobreza acompanha queda da fome

Os números da insegurança alimentar aparecem acompanhados por outros indicadores sociais. Segundo o governo federal, entre 2022 e 2025 cerca de 5,2 milhões de pessoas deixaram a extrema pobreza e 21 milhões saíram da condição de pobreza. O período também foi marcado pela recuperação do mercado de trabalho, pela valorização do salário mínimo e pela redução da inflação dos alimentos.

Na avaliação do ministério, esses fatores ajudam a explicar por que a redução da fome foi acompanhada por uma diminuição das desigualdades sociais.

Mais do que um indicador alimentar

Os dados divulgados pelo MDS mostram que o enfrentamento da fome produz efeitos que vão além do acesso à alimentação.

Quando mulheres conseguem garantir comida na mesa, quando crianças deixam de conviver com a insegurança alimentar e quando famílias negras ampliam sua proteção social, o resultado aparece também na redução de desigualdades historicamente acumuladas.

Nesse sentido, a queda da fome registrada entre 2022 e 2024 não representa apenas uma melhora estatística. Ela sugere que políticas públicas voltadas aos grupos mais vulneráveis podem produzir impactos concretos na estrutura das desigualdades brasileiras.

 

portal Vermelho

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