13 de junho de 2026
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Romper com uma educação historicamente eurocentrada, masculina e branca para abrir caminhos a uma formação inclusiva, multicultural e libertadora. Esse é o cerne do projeto de extensão “Leia Mulheres Negras: Por uma educação inclusiva, multicultural e libertadora”, desenvolvido pela Universidade Regional do Cariri (URCA). Com atividades contínuas desde julho do ano passado, a iniciativa vem consolidando a ponte entre o conhecimento acadêmico e o chão da escola pública na região do Cariri cearense.

Sob a coordenação da professora Itamara Freires de Meneses, do Departamento de Ciências Sociais da URCA, o projeto conta com uma equipe interdisciplinar de docentes e estudantes bolsistas dos cursos de Ciências Sociais, História, Letras e Direito, além de contar, além de contar com a colaboração da docente, Adriana Simião. O financiamento é da Secretaria de Articulação Intersetorial e com os Sistemas de Ensino (SASE/MEC), em parceria direta com a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX/URCA).

A “Biblioteca dos Sonhos”: Entrega de Acervos nas Escolas Parceiras

WhatsApp Image 2026 06 12 at 12.36.10 1Uma das ações de maior impacto do projeto é a consolidação da “biblioteca dos sonhos” nas instituições de ensino médio parceiras. Cada escola participante está recebendo um acervo expressivo de 80 livros de autoria de mulheres negras, tanto brasileiras quanto estrangeiras. A chegada dessas obras representa acesso, identificação, memória e a oportunidade de jovens leitores encontrarem novas narrativas e visões de mundo.

As entregas e atividades pedagógicas têm movimentado diversas comunidades escolares:

Liceu do Crato: Primeira instituição a acolher a proposta (antes mesmo de integrar a Rede de Extensão do Ceará), a escola celebrou a entrega do acervo em um momento emocionante, marcado por apresentações musicais dos estudantes e relatos dos participantes do Clube do Livro local, sob o suporte das professoras colaboradoras Érika, Caroline e Simone.

Escola Polivalente (Crato): O acolhimento da comunidade escolar e o empenho dos estudantes integrantes do Clube do Livro transformaram a entrega dos exemplares em um marco de gratidão e fortalecimento social. As atividades contam com a colaboração da professora Jéssica Bezerra.

Escola Adauto Bezerra (Crato): A entrega foi marcada pelo diálogo e pela escuta, reforçando o compromisso com uma aprendizagem que questiona a “história única” — conceito alertado pela escritora Chimamanda Ngozi Adichie. Na escola, o projeto conta com a colaboração do professor, Michael Marques. “Ler mulheres negras com estudantes da educação básica é enfrentar uma educação ainda fortemente eurocentrada. É reivindicar outras leituras de mundo, outras formas de existir, pensar e construir conhecimento para além de uma cosmovisão pautada apenas pela lente masculina,” destaca a coordenação do projeto.

Expansão Territorial e Parceria com o ENSINAFRO em Nova Olinda

Além das frentes no Crato, o “Leia Mulheres Negras” expandiu suas fronteiras para Nova Olinda. O projeto firmou uma cooperação estratégica com o ENSINAFRO, uma prática pedagógica afrocentrada idealizada pelo professor Nicolau Neto na EEMTI Padre Luís Filgueiras (única escola de ensino médio em tempo integral do município).

O ENSINAFRO, que já trabalha os conteúdos de História e Sociologia sob a perspectiva africana desde 2023, ganha o reforço literário e epistemológico das mulheres negras. Para o decorrer de 2026, o projeto tem a perspectiva de trabalhar com ações pontuais e estratégicas para consolidar a parceria e levar o debate a novos espaços do Cariri.

Ações na Universidade: Círculos de Leitura e Escrevivência

O projeto não restringe sua atuação às salas de aula do ensino médio; ele pulsa fortemente dentro dos campi da URCA e em eventos acadêmicos. Entre as ações formativas e culturais, destacam-se:

Oficina “Território da Escrevivência”

Realizada em parceria com o CUCAGEO, a oficina foi ministrada por Leidiane dos Santos. Utilizando o conceito conceitual de escrevivência, a atividade propôs uma experiência interativa de escrita, reflexão e produção artística por meio da criação de fanzines, transformando a arte em ferramenta de resistência e identidade regional.

Rodas de Conversa e Clubes de Leitura

A formação crítica e política dos estudantes universitários e da comunidade externa é estimulada através de debates de obras fundamentais. Encontros recentes discutiram o clássico “Mulheres, Raça e Classe”, de Angela Davis, e a obra “O pacto da branquitude”, de Cida Bento, analisando as estruturas de poder e privilégios na sociedade brasileira.

Reconhecimento Institucional

O sucesso do projeto, evidenciado por dinâmicas afetuosas e criativas como os “leilões de livros” organizados pelas bolsistas nas escolas, reflete a maturidade da extensão universitária na URCA. Em fevereiro, as ações foram apresentadas e avaliadas em um seminário conjunto com a Universidade Federal do Cariri (UFCA), assegurando a coerência metodológica e o acompanhamento qualificado das propostas.

A URCA, como instituição que forma e emancipa a classe trabalhadora, reafirma seu compromisso social e humano ao descentralizar o saber acadêmico. O projeto “Leia Mulheres Negras” demonstra que a melhor forma de combater o racismo e o sexismo nas escolas é democratizando o acesso às vozes que carregam ancestralidade e abrem caminhos para novos futuros. Portanto: leia mulheres negras!

fonte: site da URCA

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