
Adolfo Pérez Esquivel. Foto: Reprodução
O vencedor do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, iniciou nesta quarta-feira (3) uma greve de fome em protesto contra o agravamento da pobreza e o aumento das desigualdades sociais na Argentina sob a gestão do presidente Javier Milei. A mobilização teve início na Praça de Maio, em Buenos Aires, reunindo integrantes da Mesa Ecumênica e representantes de diversos movimentos sociais.
A ação tem como objetivo chamar a atenção para o avanço da fome no país e promover debates sobre os impactos das políticas econômicas implementadas pelo governo argentino. Além do jejum, a programação inclui encontros, atividades de oração e manifestações públicas ao longo da semana.
Durante o ato de abertura, Pérez Esquivel afirmou que a sociedade enfrenta um cenário de extrema vulnerabilidade e defendeu a união popular como instrumento de transformação social.
Mobilização busca despertar consciência social
Segundo o ativista, a população argentina vive um momento de fragilidade diante das dificuldades econômicas. Em seu discurso, ele destacou a necessidade de organização coletiva para enfrentar os desafios atuais sem recorrer à violência.
“O povo está em um estado total de indefesa. A única forma de reverter isso é nos unirmos, não pela violência, mas pela rebelião das consciências para que comecemos a pensar e agir”, declarou.
A mobilização também acontece em outras cidades do país, reunindo organizações ecumênicas, entidades de direitos humanos e movimentos populares que discutem alternativas para combater a exclusão social, a fome e a deterioração das condições de vida.
Os organizadores informaram que as atividades devem continuar até a próxima terça-feira (10), ampliando o debate sobre questões sociais e econômicas que afetam milhões de argentinos.
Críticas aos cortes em saúde, educação e assistência social
Aos 94 anos, Pérez Esquivel direcionou críticas contundentes às medidas de austeridade adotadas pelo governo de Javier Milei, especialmente aos cortes em áreas consideradas fundamentais, como saúde, educação e assistência social.
Para o Nobel da Paz, os dias de jejum e oração representam uma forma de sensibilizar a população para os problemas enfrentados pelas camadas mais vulneráveis da sociedade.
O ativista também defendeu que as discussões promovidas durante a mobilização ultrapassem os limites dos movimentos sociais e alcancem outros setores da sociedade argentina.
Alerta sobre conflitos internacionais e papel da ONU
Além das questões internas da Argentina, Pérez Esquivel comentou o cenário internacional e manifestou preocupação com a possibilidade de ampliação de conflitos armados em diferentes regiões do mundo.
Ao abordar o papel da Organização das Nações Unidas (ONU), o ativista afirmou que a instituição deveria representar os interesses coletivos da população global, mas, segundo sua avaliação, estaria atualmente condicionada pelos interesses de um grupo restrito de países.
As atividades previstas até o dia 10 incluem a participação de aposentados, estudantes, povos indígenas, mulheres e representantes de movimentos sociais, ampliando o alcance da mobilização em todo o território argentino.
Durante os protestos, Pérez Esquivel também fez referências ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo uma postura de resistência da sociedade diante de lideranças que, segundo ele, colocam em risco direitos e garantias sociais.
A greve de fome liderada pelo Nobel da Paz se tornou mais um capítulo da crescente tensão política e social na Argentina, em meio aos debates sobre os efeitos das medidas econômicas implementadas pelo governo de Javier Milei.