30 de maio de 2026
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Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca. Foto: Reprodução

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode gerar efeitos sobre bancos, fintechs, empresas e investidores brasileiros e resvalar na credibilidade que o senador Flávio Bolsonaro tem com essa classe. A medida, solicitada pelo pré-candidato à Presidência do Brasil a Donald Trump, aumenta exigências de compliance e pode afetar negócios ligados à Faria Lima.

A classificação impõe a necessidade de diligências mais rigorosas por parte de empresas que tenham relação com o mercado estadunidense ou operem em dólar. O desafio está em garantir que recursos ligados ao crime organizado não passem por suas contas, mesmo quando o dinheiro tenha ingressado na economia formal várias etapas antes.

Um exemplo citado por especialistas ao UOL envolve bancos que operam contas de distribuidoras de combustíveis. Se a gasolina comercializada tiver sido adulterada por fabricante ligado ao PCC, a distribuidora pode ter vínculo indireto com o crime organizado. O banco responsável pela conta também ficaria exposto a sanções dos Estados Unidos, ainda que não soubesse da origem ilícita.

Por isso, empresas brasileiras terão de reforçar a checagem de clientes, fornecedores e prestadores de serviço até o chamado quarto grau, exigência considerada complexa por advogados da área. Bancos, fintechs e companhias passaram os últimos meses estudando as implicações da classificação em contato com escritórios no Brasil e nos Estados Unidos.

A avaliação de especialistas é que as empresas não foram pegas totalmente desprevenidas, mas tampouco esperavam que a decisão fosse tomada agora. Caso as novas exigências prejudiquem negócios da Faria Lima, banqueiros, empresários e investidores podem se irritar com a medida e com quem a incentivou.

No México, três instituições financeiras foram banidas do sistema SWIFT, usado em transações internacionais, depois que os Estados Unidos classificaram organizações locais como terroristas. Uma das instituições entrou em liquidação.

Novos terroristas

O governo Trump anunciou na quinta-feira (28) a inclusão do PCC e do CV na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados”. A partir de 5 de junho, as facções também entram na categoria de “Organizações Terroristas Estrangeiras”.

A decisão não deve atingir diretamente o comércio entre Brasil e Estados Unidos, mas aumenta a pressão sobre o sistema financeiro, além do temor de possíveis incursões estadunidenses em terras brasileiras. Bancos, fintechs e empresas que operam em dólar ou mantêm relações com o mercado estadunidense terão de ampliar o rastreamento de transações e a identificação de clientes.

O Pix também deve entrar no radar. “O rastro do dinheiro é sempre a primeira linha de atuação em medidas desse tipo. O PIX naturalmente entra nesse monitoramento porque movimenta um volume enorme de transações diariamente”, afirmou Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing ao g1.

Setores com grande circulação de dinheiro, como combustíveis, logística, portos e mercado imobiliário, podem enfrentar fiscalização maior. No mercado financeiro, o impacto principal deve ser operacional e regulatório, com mais auditorias internas, integração com órgãos reguladores e monitoramento para reduzir riscos de lavagem de dinheiro e sanções internacionais.

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