29 de maio de 2026
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Assislan de Paiva

Jornalista

 

Reinaugurado na última terça-feira pelo prefeito Gledson Bezerra e seus secretários de educação e cultura, Márcia Franca e Renato Willamis, respectivamente; o teatro Marquise Branca retoma o seu protagonismo no contexto histórico e cultural da cidade abrindo as cortinas para a produção cênica de grupos e companhias do município e de outros lugares que vêm a Juazeiro do Norte, utilizando-se desta vitrine.  Fechado há mais de 10 anos, a casa passou por uma ampla reforma, que configurou-se como a única de forma minuciosa incluindo uma praça, equipamentos de luz e som de última geração, troca de poltronas, piso em mosaico da época, e todo um aparato e infraestrutura que torna o Marquise um teatro moderno e ao mesmo tempo histórico no valor do que foi o prédio no passado e por que mãos ele foi erguido, defendido e sustentado ao longo de toda a sua história, quando deixa de ser um prédio abandonado, em ruínas, e torna-se o palco dos artistas juazeirense.

Na ocasião da reinauguração, nomes foram mencionados por compor essa história, ou ao prédio emprestar seu nome, que se vinculam entre a memória, o fazer e a trajetória que juntos constrói a casa, que neste novo universo, faz-se complexo cultural aglutinando ao Marquise Branca, a criação da Escola Municipal de Artes, cujo espaço tão logo comece a funcionar, abrirá as portas para receber alunos das escolas públicas em sua formação artística, unindo dois equipamentos, duas secretarias em um só para que juntos mantenham-se com fervor em favor da arte, do patrimônio e dos nomes homenageados, no caso o do Teatro Municipal Marquise Branca, que recebe o nome da atriz de mesmo alcunha e da Escola, que recebe o nome de João Bezerra Alves; um pronto reconhecimento dado a dois artistas que tão bem representaram a sua trajetória e tão encantadora foram as suas biografias, no quesito sobretudo, de levar a bandeira da cidade nas artes, e influenciar tantos outros neste ofício, servindo de referência a tatos outros. E quem são de fato?

A história de Marquise Branca se confunde com a própria história do teatro no interior do Nordeste. Embora tenha nascido em Triunfo (PE), em 6 de dezembro de 1910, sob o nome de Albertina Brasileiro, foi em Juazeiro do Norte que ela fincou suas raízes e de onde partiu para se tornar uma das maiores personalidades do teatro nacional e sul-americano nas décadas de 1930 e 1940.

O Início em Juazeiro do Norte

A família de Albertina mudou-se para Juazeiro do Norte por volta de 1915, época em que a cidade ainda respirava os tempos áureos do Padre Cícero. Seus pais mantinham uma pensão bem conhecida no centro da cidade, na rua do Cruzeiro. Desde muito jovem, ela já demonstrava inclinação para as artes, chegando a liderar o “Bloco das Bananas” no primeiro carnaval organizado na cidade, em 1925.

A grande reviravolta aconteceu em 1927, quando a renomada Companhia de Teatro Conceição Ferreira chegou à região para uma temporada. O grupo trazia atores experientes, incluindo o espanhol Affonso Moreira e o ator Aloísio Campelo. Aloísio acabou se casando com a irmã de Albertina. Quando a trupe se preparava para deixar o Cariri, a jovem Albertina, com apenas 16 para 17, decidiu ir junto para seguir a carreira artística. Foi nessa transição que ela adotou o pseudônimo que a tornaria famosa: Marquise Branca.

O Sucesso e o Pioneirismo no Palco

Marquise Branca estreou profissionalmente nos palcos de Iguatu e logo partiu em temporada por Fortaleza, Sobral e outros estados do Norte e Nordeste. Em 1928, casou-se com o companheiro de palco, Affonso Moreira e, no ano seguinte, fundaram o Trio Marquise Branca, criando a base para a primeira companhia de teatro com DNA genuinamente juazeirense a ganhar projeção.

O estilo de Marquise era inovador, ousado e magnético para a época:

Gênero: Sua trupe focava muito em sainetes (peças curtas, cômicas e musicadas) e no teatro de revista, explorando o humor escrachado e tipos populares.

Presença cênica: Em uma era de rígidos costumes, Marquise quebrou barreiras ao se apresentar como vedete, mostrando as pernas nos palcos e dançando de forma sensual e cativante.

O sucesso foi tão estrondoso que o grupo rompeu as fronteiras do Brasil, realizando turnês internacionais pela América do Sul e chegando a se estabelecer por um período em Buenos Aires, na Argentina.

Declínio e Legado

A partir da década de 1940, após a separação de Affonso (com quem teve três filhos), a carreira de Marquise começou a declinar. Ela tentou retomar o espaço no Recife, integrando o elenco da Rádio Tamandaré e criando novas parcerias teatrais de curta duração, mas o auge dos palcos já havia passado. Marquise Branca faleceu no Rio de Janeiro, em 22 de maio de 1965.

Apesar de ter saído de cena cedo, o impacto de sua ousadia e pioneirismo nunca foi esquecido pelo Cariri. Ela abriu caminhos para as mulheres nas artes cênicas do interior e profissionalizou o fazer teatral na região.

João Bezerra Alves nasceu em Bodocó (PE), veio com a família para Juazeiro ainda criança, estudou no colégio São Francisco e concluiu o Ensino Fundamental e Médio no Centro Educacional Almirante Ernani Aboim Silva, o CIRÃO, em 1998.  Na adolescência, em 1997, começou a participar no Centro Juvenil Dom Bosco, nas colônias de férias que a comunidade salesiana organizava onde começou no teatro; no mesmo passou a fazer parte do grupo teatral chamado “Os Sombras” para participar da cena artística da segunda geração da AMAR-Associação dos Artistas e Amigos da Arte. Criou a Cia. Estrelarte de Teatro para realizar montagens teatrais, produções e eventos.

João Alves começou a movimentar a cena artística de Juazeiro do Norte no início dos anos dois mil, quando criou a Semana de Teatro, Dança e Moda e também o Festival Padre Cícero de Teatro, mesmo enfrentando grandes desafios, foram eventos decisivos e importantes para consolidar conquistas e transformações para o teatro na atualidade. Trabalhou como professor de teatro nas escolas do estado e município, sempre com seu diferencial de valorizar cada jovem, colocando-o como protagonista na arte e na vida, classificando cada pessoa como “estrela”. Como diretor montou vários espetáculos teatrais, e como ator participou de vários outros.

No CEU, trabalhava a arte com a juventude, montou o espetáculo “Padre Cícero: Filho do Crato e Pai do Juazeiro”; trabalhava com as famílias dos jovens artistas e fazia uma integração entre assistência e arte. Uma das paixões de João Alves era a Cidade Cenográfica do Juá Forró, que vinha participando desde o ano 2000, foi ator e nos últimos anos era o diretor de elenco.

João Alves contribuiu com sua arte para a cultura de Juazeiro do Norte, fez parte de vários grupos teatrais, participou de todas as edições do FESTEJ – Festival de Teatro Estudantil e foi pioneiro na criação do Conselho Municipal de Cultura de Juazeiro do Norte, foi da primeira turma de produtor cultural do CCBNB Cariri e estava sempre na cena cultural, atuando artística e politicamente para uma cultura mais forte. Assim estas casas de produção artística abrirão dentro em breve as suas portas, e receberá de braços abertos seus públicos, suas plateias e seus trabalhos, efervescendo cada vez mais a agenda cultural de Juazeiro do Norte e de todo o Cariri.

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