8 de maio de 2026
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COLUNA O VERBO FEMININO

POR ÍRIS TAVARES

 

Juazeiro do Norte e o projeto Lei do Circo

A cultura do circo resiste há séculos, desde a antiguidade, remonta a mais de 5.000 anos. As suas origens estão na China, Egito e Roma Antiga (o “Circus Maximus” – a maior arena de entretenimento da antiguidade). Mais tarde em 1768 na Inglaterra, Philip Astley modernizou o cenário do circo tradicional, com picadeiro circular e lona e uniu habilidades equestres, acrobatas e palhaços.

A arte se desenvolveu de espetáculos populares de saltimbancos, circo contemporâneo com seus itinerantes icônicos. Segundo alguns pesquisadores, foi no Brasil do século XVI que a presença de artistas circenses foi notada, embora os registros oficiais ganharam força no século XIX, por meio do trânsito das famílias europeias.

O circo se tornou parte essencial da cultura popular brasileira, especialmente nas áreas interioranas. Muitas companhias são formadas por famílias circenses que transmitem suas habilidades de geração em geração. A figura símbolo do circo no Brasil é o palhaço Piolin. Ele marcou um tempo com seu humor e talento, sendo reconhecido por intelectuais e artistas. Recebeu várias homenagens, dentre elas, instituíram o dia 27 de março, data de nascimento do palhaço, como o dia do circo no Brasil.

Considera-se a magnitude do circo por ser uma das formas mais completas de expressão cultural. Consegue reunir arte, tradição e emoção em um único espaço. Encanta público de todas as idades. Não é um mero entretenimento, pois promove a inclusão ao alcançar diferentes regiões e é capaz de preservar saberes transmitidos de geração em geração no âmbito das famílias circenses. Por outro lado, o circo favorece para a formação artística e humana das pessoas, motivando a criatividade, disciplina e superação ao gerar momentos inéditos de conexão e alegria, reforçando o poder da arte como ferramenta de transformação social.

Temos um legitimo representante da comunidade circense, Damião Teles, enquanto suplente de vereador fez valer seu compromisso de fortalecer e propor politicas públicas para a comunidade circense de Juazeiro do Norte. É certo que o nosso vereador foi formado na escola da Dra. Cristina Diogo, socióloga, pesquisadora, produtora cultural e andarilha desse nordeste da arte brotando em toda sua vastidão. O que deve ser ressaltado é a valentia e determinação de Damião Teles que na primeira oportunidade como legislador fez valer, valorizar e reconhecer o trabalho de seus parceiros na Companhia Tem Sim Senhor (referencia local de teatro e circo), O Ponto de Cultura Circo Escola, Trupe do Risadinha, Circo Sangine, Eco Circo Teatro Marias do Sertão e o projeto Companhia Amundiçados, entre outros. São dezenas de famílias dos bairros populares e periféricos do município que encontraram na arte circense uma forma de resistir e celebrar as potencialidades coletivas e comunitárias.

Josivan Lima participou da mobilização e da sessão onde foi votado o PL do Circo. E enfatizou: “Hoje não estamos aqui apenas para defender um Projeto de Lei. Estamos aqui para defender uma história, uma cultura e um modo de vida que há gerações encanta, educa e emociona o nosso povo… o circo não chega apenas com lona, caminhão e espetáculo. O circo chega com memória, com trabalho, com infância, com sonho e com dignidade. Onde o circo arma sua lona, ele também planta esperança.”

Sigamos avançando na construção de politicas publicas para a comunidade circense. Salve.

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