3 de junho de 2026
p.13 - O Verbo Feminino

 

Nas últimas semanas foi percebível a articulação e mobilização do movimento organizado que muito tem contribuído para a pauta da Agenda 21 e o desenvolvimento sustentável. Estamos próximos da realização da 1ª Conferência Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (1ª Conferência Nacional ODS). O tema é de grande relevância no que se refere a promoção do diálogo amplo e inclusivo sobre as questões que influenciam a sustentabilidade da nossa casa comum, o planeta terra. A ONU em 2015, estabeleceu os ODS, que se apresentam como os 17 objetivos que visam enfrentar desafios globais como a pobreza, a desigualdade, a mudança climática e a degradação ambiental, nesse acumulo de debate o Brasil coloca no centro das discussões a inclusão da promoção da igualdade Étnico-Racial, o novo ODS 18.

A Conferência vai acontecer em meio à uma conjuntura bastante adversa, que se prolifera nos esturros de uma guerra, cujos ataques encomendados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, colocam todo o planeta em constante alerta. É uma guerra por poder e riquezas, a gana pelo monopólio das instalações nucleares e os terminais de petróleo. Os dados internacionais mais recentes são ignorados pelos líderes mundiais ocupados com a destruição de famílias inteiras feito alvos das atrocidades da guerra que eles mesmo declararam. Há algo mais insustentável do que isso? “O Relatório do Índice de Pobreza Multidimensional 2024, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Universidade de Oxford, indica que aproximadamente 1,1 bilhão de pessoas vivem em situação de pobreza multidimensional aguda no mundo. Paralelamente, o relatório Poverty, Prosperity and Planet 2024, do Banco Mundial, estima que cerca de 700 milhões de pessoas — o equivalente a 8,5% da população global — permanecem em extrema pobreza, segundo a linha internacional de US$2,15 por dia (PPC)”.

A pergunta que não quer calar é o que deveremos fazer?! Considerando que a redução da pobreza extrema desacelerou nos últimos anos e que, continuar o ritmo atual, o mundo não alcançará a meta de erradicação da pobreza até 2030. A Carta da Terra quando foi elaborada há mais de 20 anos por mentes visionárias, resultou no documento com dezesseis princípios que transformam a consciência em ação. Busca “inspirar em todas as pessoas um novo sentido de interdependência global e uma responsabilidade compartilhada pelo bem estar de toda a família humana, da comunidade de vida e das gerações futuras. É uma visão de esperança e um chamado à ação.”

O retrato da desigualdade social, segundo relatório recente da Oxfam (2025) confirma o crescimento da concentração da riqueza globalmente: o 1% mais rico da população mundial agora acumula cerca de 45% da riqueza global, enquanto isso, a metade mais pobre da população global detém uma fração mínima da riqueza total. Há algo mais insustentável? O modelo econômico é gerador das desigualdades e a sua fome é incontrolável, por isso devora tudo que está a sua volta. Que a 1ª Conferência Livre ODS seja o espaço para as reflexões fundamentais sobre a sociedade que desejamos e o Bem Viver.