
Neste 8 de março, próximo domingo, registramos o Dia Internacional da Mulher que faz parte do calendário de vários países. Especificamente no Brasil, a data precisa ser utilizada para refletirmos enquanto sociedade sobre a violência que atinge mulheres e que parece não ter fim. Mesmo com leis mais rígidas como a Lei Maria da Penha o feminicidio, o assédio e os estupros continuam. No Brasil, protegemos muito poucos as mulheres. Hora dessa realidade mudar.
8 de março: resistir, denunciar e transformar – a luta das mulheres contra a violência de gênero no Brasil
O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, não é data de flores ou homenagens vazias. É um marco histórico de luta, memória e resistência no mundo e em nosso país. De forma específica no Brasil — e de forma contundente no Ceará — a realidade da violência contra as mulheres revela que a mobilização feminista não é apenas legítima: é urgente.
Mas é preciso que a sociedade como um todo fique contra essa violência e que a Justiça dê as respostas que a sociedade espera e deixe de proteger – como temos visto em alguns casos – Os abusadores e estupradores.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país segue registrando índices alarmantes de feminicídio, agressões, estupros e violência doméstica. Mesmo com avanços legislativos importantes, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a distância entre a lei e a proteção efetiva ainda é grande, sobretudo nas periferias urbanas e nas zonas rurais.
No Ceará, a rede de enfrentamento à violência de gênero tem avançado com delegacias especializadas e casas de acolhimento, mas os números continuam desafiadores. A cada caso que chega às manchetes, há muitos outros silenciados pelo medo, pela dependência econômica ou pela ausência de políticas públicas eficazes.
A violência contra a mulher não é um fenômeno isolado ou doméstico — é estrutural. Está enraizada em desigualdades históricas, no machismo naturalizado e na cultura que ainda questiona a autonomia feminina sobre o próprio corpo, a própria voz e os próprios espaços.
O movimento de mulheres no Brasil tem sido protagonista na denúncia dessas estruturas. Foi graças à mobilização feminista que o país avançou na tipificação do feminicídio, na ampliação de políticas de proteção e na criação de canais de denúncia como o Ligue 180. Cada conquista tem a marca da pressão popular.
Mas a luta vai além do enfrentamento à violência física. Ela passa pela defesa da igualdade salarial, da representatividade política, do combate ao assédio, da valorização do trabalho doméstico e do reconhecimento das múltiplas identidades femininas — mulheres negras, indígenas, periféricas, trabalhadoras rurais, LGBTQIA+.
O 8 de Março como ato político
Mais do que uma data simbólica, o 8 de março é um chamado coletivo. É dia de ocupar as ruas, as praças e os espaços públicos para afirmar que nenhuma mulher deve viver com medo.
Em diversas cidades brasileiras, movimentos sociais, coletivos feministas, sindicatos e organizações da sociedade civil convocam manifestações, caminhadas, rodas de conversa e atos públicos. No Ceará, a tradição de mobilização é forte, com presença histórica de movimentos autônomos e organizações populares que mantêm viva a pauta da igualdade de gênero.
Ir às ruas no 8 de março é transformar luto em luta. É lembrar as vítimas de feminicídio e afirmar que suas histórias não serão esquecidas. É exigir políticas públicas mais robustas, orçamento para proteção às mulheres e educação que promova igualdade desde a infância.
Um convite à mobilização
Neste 8 de março, o convite é claro: participe. Vista roxo, leve seu cartaz, sua voz e sua indignação. Convide amigas, familiares, colegas de trabalho. A mudança social nasce do engajamento coletivo.
Que o Dia Internacional da Mulher seja um momento de denúncia, mas também de esperança. Porque a história mostra: toda conquista feminina foi fruto de organização, coragem e resistência.
A luta das mulheres não é apenas uma pauta feminina — é uma pauta democrática. E democracia só se fortalece quando todas podem viver com dignidade, liberdade e segurança.