6 de março de 2026
Tributo à alma da senhora Maria Marquesa

 

Nesse momento de dor e louvor à alma de nossa querida mãe Maria Marquesa, primeiramente gostaríamos de agradecer todos os sentimentos e solidariedade espiritual ofertados à família em razão da perda irreparável da matriarca dos ‘Lopes Custódio’. E este fato nos orgulha e revela a dimensão do coração e do carisma de dona Marquesa que nos acompanha, agora, de um plano mais elevado.

Ela veio ao mundo numa belíssima quarta-feira do dia 2 de maio de 1934, trazendo luzes ao ambiente, ocasião em que recebeu o batismo de Antônia Maria da Conceição. E, após o matrimônio com Miguel Custódio na década de 1950, é que passou a se chamar de Maria Marquesa Lopes Custódio, agregando o sobrenome ‘Lopes’ de seus ancestrais ao ‘Custódio’ de seu Miguel, nosso querido pai, com o qual proliferou 12 filhos, cujos nomes seguiram rigorosamente a ordem alfabética e esse desejo familiar-cultural progrediu com os netos.

Assim, perceba que ela sempre carregou o sangue humilde das Antônias e Marias, por isso que a sua maior filosofia de vida era: quem quer ser o maior, que seja o menor. Valendo ainda a informação de que o seu ano de natalício foi exatamente o ano em que Padre Cícero nos deixou, em 1934, daí lhe restando a missão implícita de dar continuidade aos fundamentos do amor, da união, da compaixão e dos ensinamentos cristãos. E ela o fez com muita dignidade e proficiência espiritual.

Ainda, não se pode ignorar que ‘Quezinha’, como era chamada carinhosamente por alguns, foi uma mulher dotada de serenidade e sensatez, uma mestra em ouvir, orientar com os olhos e falar em silêncio, de tal modo que transformava o ambiente num espaço calmo, positivo, doce e meigo, como ela sempre foi. Mas a leitura sobre qualquer escrito era o seu ponto de equilíbrio, situação que a levou a uma estabilização pessoal e intelectual.

Por falar em literatura, Marquesa foi uma pessoa um tanto absorta e discreta, porque gostava de se concentrar no seu íntimo, pensar baixo e conversar com os botões de suas blusas, numa típica feição intimista, seguindo a tendência da escritora e poetisa Cecília Meireles.

Outro literato que ela apreciava bastante era o baiano Jorge Amado, sendo certo que leu, praticamente, todas as suas obras, como ela mesma comentava, caso do livro ‘Jubiabá’, que retratava a vida dos desafortunados e o surgimento da figura de líderes religiosos na região nordestina. Lembramos ainda que a música ‘Modinha para Gabriela’, composta em 1975 por Dorival Caymmi, desencantada na voz de Gal Costa, mostrava a sua personalidade firme, no sentido de que nasceu assim, era mesmo assim e seria sempre assim, voltada para o eu interno, mas dedicada ao bem comum das pessoas.

De igual modo, claro e lógico que dona Marquesa apreciava também os talentos da terra, uma vez que era espectadora assídua do inesquecível programa de João Hilário, com seu programa jornalístico-político, de seu Elói Teles, em ‘Coisas do meu Sertão’, e do icônico e imperdível noticiário de Antônio Vicelmo, cujos apresentadores representavam os olhos, a voz e o sentimento da população do Cariri cearense.

Pois bem, embora a nossa amada Maria Marquesa mereça muito mais, encerramos por aqui, valendo das sentimentais palavras da saudosa poetisa americana Mary Elizabeth Frye, que reproduz o pensamento otimista e vital de nossa mãe: “Não chore à beira do meu túmulo, eu não estou lá. Estou no brilho das estrelas perfurando a noite e no cantar alegre dos pássaros. Não, não chorem tristes à beira do meu túmulo, eu não estou lá, eu não morri. Eu sou a vida incessante e livre, que corre nas águas do rio”.

Portanto, é esse o legado que a Maria Marquesa Lopes Custódio nos deixou. Muito obrigado e que a graça de Deus desça sobre cada um de vocês. Amém.

Fortaleza-Barbalha-Crato/CE, 02/02/2026.

Texto escrito por Boanerges, Francinete e Jéfferson Lopes Custódio, filhos de dona Maria Marquesa.

maria marquesa

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