7 de março de 2026
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Por Professor Andson Andrade

 

O músico e artista cratense Abidoral Jamacaru, ao lançar o seu álbum “O Peixe”, no ano de 1998, parece estar fazendo uma descrição em alguns poemas do ambiente de guerra tão noticiado “na lente aguçada” do jornalismo deste 2025. A musicalidade poética da letra da canção “Estrelas Riscantes”, traz um imenso universo de entendimentos que nos faz compreender as diversas ações que caraterizam o próprio ambiente de guerra e, aqui vejamos (Abidoral – 1998):

Pensando bem

Bom motivo ninguém tinha

Pra ficar a me esperar

E quem vem da poeira

Amarga a soleira

Querendo escapar

Reescrevendo o trecho da poética, “bom motivo ninguém tinha, pra ficar a me esperar”, não muito obstante, o noticiário tem mostrado a grande quantidade de pessoas “querendo escapar” do campo de concentração das guerras em diferentes períodos.

MORTOS E FERIDOS

De acordo com o monitoramento de conflitos das Nações Unidas – ONU, obtém-se as seguintes informações:

2001 – Afeganistão foi palco de um dos conflitos mais noticiados do mundo, após os ataques de 11 de setembro onde o governo norte-americano invadiu o país sob a acusação de que o Talibã esteve por trás dos atentados. Foram quase duas décadas de intensos combates e milhares de mortes;

2011  – Na Síria transformaram protestos contra o presidente Bashar al-Assad, em uma guerra civil que dura mais de uma década. O confronto causou mais de 380 mil mortos, 200 mil desaparecidos;

2021 –  Mianmar, resultou em uma guerra civil que durou mais de quatro anos entre militares e grupos organizados de civis armados, cerca de 12 mil mortos;

2023 – Israel e o grupo extremista Hamas – matou de 52 mil palestinos;

2023 – Iêmen – a guerra causou mais de 233 mil mortes, incluindo 131 mil por causas indiretas, como falta de alimentos, serviços de saúde e infraestrutura. Mais de 10 mil crianças mortas;

2023  – Sudão, cerca de 19 mil pessoas mortas e mais de 33 mil feridas desde o início da guerra civil no  de acordo com relatório divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) .

2022 – Rússia invadiu a Ucrânia deixando, aproximadamente 10.749 civis mortos e 15.599 feridos na Ucrânia;

CONSIDERAÇÕES DO FREI VANILDO LUIZ ZUGNO

Estas foram algumas das guerras identificadas no nosso estudo no qual apresentamos uma reflexão da autoria do Frei Vanildo, que afirmou num de seus artigos: – “Enquanto uns contam os mortos, outros contam os lucros. É a indústria da morte. Altamente lucrativa. Altamente nociva. É a civilização ocidental resumida ao lucro do capital. Em 2019, […] o governo norte-americano disponibilizou dados, 11 milhões de armas de fogo para uso de civis foram produzidas naquele país. Somadas aos 7 milhões de armas importadas, um total de 18 milhões de novas armas foram vendidas no ano de 2019 naquele país”. Ele finaliza: – “No Brasil, assistimos a uma semelhante escalada de produção e venda de instrumentos de morte. Com pouco ou nenhum controle. E estimulada pelos atuais governantes. Tudo fica claro quando vemos que, nas eleições de 2018, pessoas ligadas a empresas fabricantes de armas estiveram entre os maiores doadores de campanhas eleitorais.”