1 de setembro de 2026
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Forquilha está a cerca de 200km de Fortaleza / Foto: Ronaldo Roger / Prefeitura de Forquilha / Divulgação

Pelo menos dez pessoas foram presas em agosto por suposta prática de “pedágio eleitoral” no Ceará, em Sobral e Forquilha – o ato se caracteriza pela cobrança, por parte de uma facção criminosa, de valores a candidatos para a realização de campanhas no Estado e envolve casos que teriam ocorrido, conforme diligências, no pleito deste ano.

Em Sobral, há suspeita de que as práticas teriam se dado também em 2024. O Ministério Público Eleitoral do Ceará (MPE-CE) avançou com as investigações do suposto crime e aponta que o cometimento, em Sobral, se deu por agentes públicos, com e sem mandato, pessoas que integram a organização criminosa.

No caso de Forquilha, as prisões foram de cinco pessoas supostamente ligadas à facção. Os casos estão na 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza.

A investigação sobre Forquilha, que deve ter novos desdobramentos a partir do próximo dia 2, quinta-feira, em razão do depoimento do prefeito da cidade, Ednardo Filho (PSB), tramita por meio da 3ª Promotoria, que instaurou, na sexta-feira (28), um Procedimento Investigatório Criminal (PIC), mecanismo que objetiva apurar condutas criminais, servindo como preparação para uma possível ação penal, explica o órgão.

“[O PIC] Pode ser instaurado por iniciativa do próprio MP ou a partir de denúncias, representações ou notícias de fato”, aponta o ministério. A expectativa é de que o prefeito apresente documentos, mensagens, áudios, vídeos e outros materiais condizentes com sua denúncia, a fim de subsidiar o inquérito.

As apurações começaram a partir de informações de que integrantes de uma facção criminosa teriam ameaçado candidatos e agentes políticos e buscado influenciar o andamento da campanha no município.

“Os elementos coletados até o momento também indicam a possível prática de crimes eleitorais e comuns, como participação dos envolvidos em organização criminosa ultraviolenta”, acrescenta o MPCE.

Foram presos quatro homens e uma mulher, entre os dias 20 e 27 de agosto, no Ceará e em São Paulo. O MPE também trabalha com a contribuição de autoridades policiais e órgãos de segurança pública locais “para aprofundar as apurações sobre a atuação da organização criminosa e a possível influência no processo eleitoral do município”, acrescenta o texto institucional do ministério.

Vereadores presos
O saldo, em Sobral, na Operação Omertá, realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), da PF, pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (Gael) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), os dois vinculados ao MP, e pela Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco), no início deste mês, inclui a prisão de três vereadores: Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Podemos) e Mário Vicktor (União Brasil), que ficarão fora de seus respectivos cargos na Câmara de Sobral até pelo menos fevereiro, suspeitos de contribuir com as práticas criminosas. Na ocasião foram expedidos 14 mandados de prisão, com o cumprimento de sete.

Os demais sete se relacionam a suspeitos foragidos. O Estado solicitou ao MPCE informações sobre em qual estágio estão as duas investigações e outros dados disponíveis de ambos os inquéritos. O MPE-CE informou que “para preservar o sigilo e garantir a efetividade das investigações que estão em curso, não é possível disponibilizar as informações neste momento”.

No Ceará, houve prisões em agosto relacionadas a crimes eleitorais não necessariamente enquadrados como “pedágio”, em Maranguape e Itapajé.

A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para mais informações sobre as demais prisões, bem como para saber se houve capturas em outras cidades e cometimento de outros crimes eleitorais, mas não recebeu retorno até o fechamento deste conteúdo.

Nesta segunda-feira (31), o candidato Ciro Gomes (PSDB) depôs no MPCE sobre o caso de Sobral.

fonte: O Estado CE

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