31 de agosto de 2026
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Foto: Reprodução

Por Alexandre Lucas
A Política Municipal da Cultura Viva no Crato deve ser percebida como política estruturante para o desenvolvimento territorial, tendo em vista a capilaridade de ações plurais socioculturais protagonizadas pelos Pontos de Cultura.
O Crato tem mais de 50 Pontos de Cultura certificados pelos governos Federal,  Estadual e Municipal.  Cada Ponto de Cultura gera no município movimentação da economia que vai desde o setor gastronômico ao uso de tecnologias. É inegável que a cultura gera renda e trabalho.
Fortalecer economicamente o setor cultural, em especial a Cultura Viva e, consequentemente, os Pontos de Cultura, é investir no fortalecimento da diversidade e pluralidade cultural, artística, literária e estética e, ao mesmo tempo, democratizar o direito à cidade e contribuir para a ampliação da visão social de mundo e da cidadania cultural.
Injetar recursos na Cultura Viva e nos Pontos de Cultura é ao mesmo tempo investir em turismo de base comunitária, promoção da saúde, educação ambiental, assistência social e direitos humanos.
O Fórum Municipal Cultura Viva, realizado em fevereiro de 2025, já apontava a necessidade de ampliação dos recursos para a Política Municipal Cultura Viva (Lei Municipal nº 3.799/2021) para um milhão de reais, a fim de que os Pontos de Cultura espalhados pelas zonas urbana, periurbana e rural do município pudessem manter e desenvolver suas ações. Quando se divide esse valor pelo quantitativo de Pontos de Cultura e se analisa o impacto no desenvolvimento social durante o ano, podemos concluir que é um investimento estruturante.
O Fórum também deliberou o seguinte: inclusão de um assento do Cultura Viva no Conselho Municipal de Políticas Culturais; criação de uma Política de Fomento para a Cultura Viva, articulada com fundos municipais setoriais e outras secretarias; respeito ao princípio de gestão compartilhada do Cultura Viva; construção de uma estratégia intersetorial para o fortalecimento do Cultura Viva no Crato; criação do Plano Municipal de Turismo de Base Comunitária; criação de um edital de fomento para Pontos de Cultura com recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente; designação de servidores em cada secretaria municipal para acompanhamento da Política Municipal Cultura Viva; subsídio da gestão municipal para pagamento parcial de contas de água e luz dos Pontos de Cultura; criação da Coordenadoria do Cultura Viva dentro da Secretaria Municipal de Cultura; e implementação de bolsas para agentes Cultura Viva.
Entretanto, o que podemos perceber é uma visão reduzida e desleixada em relação à Política Municipal Cultura Viva, no tocante aos recursos. Por exemplo, o governo investiu na “Festa do Município” (evento) nos últimos anos mais recursos do que em mais de 50 Pontos de Cultura, que desenvolvem ações durante todo o ano.
Política estruturante só se torna instrumento de desenvolvimento econômico, cultural e social a partir de investimentos capazes de garantir mobilidade financeira para o protagonismo popular, ou seja, o horizonte da política Cultura Viva deve nortear a ampliação da renda e a geração de postos de trabalho como perspectiva de fortalecimento permanente da multissetorialidade dos Pontos de Cultura.

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