
A construção civil vive um período de forte geração de empregos no Ceará e de crescente demanda por profissionais qualificados. Em Juazeiro do Norte e região, a nova Convenção Coletiva do Sintracomjua garantiu reajuste salarial de 6,3%, elevou o piso do servente para R$ 1.636 e trouxe avanços em benefícios como cesta básica, PLR, vale-transporte e alimentação. O acordo ocorre em meio à expansão do setor, que gerou milhares de empregos formais no Ceará e enfrenta dificuldade para encontrar mão de obra especializada. No Cariri, iniciativas do IDT/Sine confirmam a procura por profissionais de diferentes áreas da construção, reforçando a necessidade de qualificação e melhores condições de trabalho.
Construção civil amplia empregos e coloca mão de obra no centro do debate no Ceará e no Cariri
A construção civil atravessa um momento de forte demanda por trabalhadores no Ceará, ao mesmo tempo em que sindicatos e empresas negociam reajustes salariais e melhores condições de trabalho. Em Juazeiro do Norte e municípios da região, a nova Convenção Coletiva fechada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil de Juazeiro do Norte e Região (Sintracomjua) estabelece reajuste geral de 6,3% e eleva o piso do servente para R$ 1.636,00.
O acordo foi concluído em agosto, depois de uma série de rodadas de negociação entre representantes dos trabalhadores e do setor patronal. Para o presidente do Sintracomjua, Sidney Galdino, o resultado é fruto da mobilização da categoria e da atuação sindical nas negociações.
Além do reajuste salarial, a convenção trouxe mudanças em outros benefícios. A cesta básica passou a R$ 170,00, um aumento de 31%. Também foi garantida Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 60%, conforme as regras estabelecidas na convenção.
Outro ponto negociado foi o vale-transporte. O desconto sobre o salário do trabalhador caiu de 6% para 3%. A alimentação nos canteiros também foi contemplada, com café da manhã no valor de R$ 4,50 e almoço a R$ 14,30. As diferenças salariais retroativas referentes ao período desde junho serão pagas em parcela única.
A nova convenção estabelece diferentes pisos profissionais para os trabalhadores da construção civil na região.
O servente terá piso de R$ 1.636,00. Para o meio profissional, o valor passa a R$ 1.704,00, enquanto o profissional terá piso de R$ 2.185,00. O encarregado de setor terá remuneração mínima de R$ 2.641,00 e o mestre de obras, R$ 3.866,81.
Também foram definidos pisos de R$ 1.636,00 para pessoal de apoio administrativo e R$ 1.704,00 para pessoal administrativo.
O acordo ocorre em um momento em que a construção civil mantém peso importante na geração de empregos formais no País e no Ceará.
Dados do Novo Caged, compilados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mostram que o setor alcançou 3.104.798 trabalhadores com carteira assinada em maio de 2026. No acumulado de janeiro a maio deste ano, a construção gerou 154.448 empregos formais.
O desempenho dá continuidade ao processo de expansão observado nos últimos anos. Em 2025, a construção civil encerrou o ano com 2.858.990 trabalhadores formais e saldo positivo de 110.921 empregos.
A remuneração também aparece como um dos pontos de destaque. Segundo levantamento da CBIC baseado no Novo Caged, o salário médio de admissão na construção civil em 2025 foi de R$ 2.476,70, acima da média geral do País, de R$ 2.294,62.
Os números mostram a dimensão do setor no mercado de trabalho brasileiro, mas também evidenciam a necessidade de qualificação profissional para atender à demanda dos canteiros de obras.
No Ceará, a construção também apresentou resultado expressivo. Em 2025, o setor registrou saldo de 9.486 empregos formais, segundo levantamento do Novo Caged. A maior parte das novas vagas esteve concentrada na construção de edifícios residenciais e comerciais, com saldo de 7.257 postos. Obras de infraestrutura urbana e projetos de obras públicas responderam por 1.140 empregos, enquanto os serviços especializados de construção acrescentaram outros 1.089 postos.
Em abril de 2025, a construção civil foi responsável por 2.472 das novas vagas formais criadas no Estado, contribuindo de maneira significativa para o resultado mensal do mercado de trabalho cearense.
O desempenho reforça o papel da construção na absorção de mão de obra em um Estado que vem ampliando o número de empregos formais.
Cariri enfrenta demanda por profissionais
No Cariri, a demanda por mão de obra especializada também aparece nas ações de intermediação de emprego. Em dezembro de 2025, o IDT/Sine realizou em Juazeiro do Norte um Feirão da Empregabilidade específico para a construção civil, reunindo oportunidades para funções como pedreiro, servente, carpinteiro, eletricista, encanador, ferreiro armador, gesseiro, marceneiro, pintor, operador de retroescavadeira e técnico em segurança do trabalho.
O cenário indica que o mercado regional não demanda apenas trabalhadores para funções básicas. Há procura por profissionais qualificados em diferentes etapas da construção, desde a execução até instalações, acabamento, operação de máquinas e segurança.
Esse movimento coloca a qualificação profissional como um dos principais desafios para o setor. Ao mesmo tempo em que as obras geram oportunidades, empresas enfrentam a necessidade de encontrar trabalhadores preparados para funções cada vez mais específicas.
A negociação em Juazeiro do Norte
É nesse ambiente de expansão do mercado de trabalho que o acordo firmado pelo Sintracomjua ganha importância para os trabalhadores de Juazeiro do Norte e da região. A convenção coletiva não trata apenas do reajuste salarial, mas estabelece um conjunto de regras que passa a orientar as relações entre trabalhadores e empresas durante sua vigência.
Para o sindicato, a manutenção da organização coletiva é fundamental para preservar direitos e buscar novos avanços. Para as empresas, a convenção estabelece parâmetros para contratação, remuneração e benefícios, contribuindo para dar maior previsibilidade às relações trabalhistas.
A construção civil, portanto, vive uma combinação de crescimento do emprego, necessidade de qualificação e pressão por melhores condições de trabalho. No Ceará e especialmente no Cariri, onde o setor possui forte capacidade de absorção de mão de obra, o desafio passa a ser transformar a expansão das obras em empregos de qualidade, com remuneração, segurança e direitos assegurados aos trabalhadores.