
Imagem ilustrativa gerada por IA (OpenAI) | Direção de arte: Leia Sempre Brasil
Já sabemos via dados de instituições como o IBGE e outros que a população brasileira está envelhecendo e isso é preocupante. Alguns dados relevantes apontam ainda que pessoas com mais de 60 anos ou a partir dessa faixa etária se aposentam e precisam continuar trabalhando, ou seja, aquela promessa de descanso do ser humano, do brasileiro após anos e anos de atividade laboral com salário baixíssimo redunda em renda baixa e pouca segurança na velhice.
A partir dessa constatação, o brasileiro precisa cada vez mais buscar renda extra, fazer o famoso bico, ou arranjar um emprego, o que é difícil pois nessa faixa etária o preconceito do mercado de trabalho é concreto e real. Podemos dizer que não há uma política pública nesse sentido.
Podemos dizer ainda que a preocupação dos órgãos públicos com os idosos fica no âmbito do SUS, do assistencialismo, da participação dos idosos em grupos nos CRAS para atividades extras e de entretenimento. Isso é positivo, mas é muito pouco.
É preciso pensar políticas públicas concretas para a ampliação da renda ou, no mínimo, uma renda cidadã que o idoso possa simplesmente parar e curtir a aposentadoria, pois o corpo humano com o tempo se desgasta, cansa, tem limites.
Levantamento da Nexus, com base em dados do IBGE, mostra que a população com 60 anos ou mais no Brasil cresceu 37% na última década, passando de 25,7 milhões para 35,2 milhões de pessoas, enquanto a população brasileira como um todo avançou apenas 4,7% no mesmo período.
O envelhecimento também mudou o perfil da força de trabalho. Entre 2016 e 2025, o número de brasileiros com mais de 60 anos em atividade aumentou 53%, chegando a 8,7 milhões de trabalhadores. O dado demonstra que o país não apenas envelhece, mas envelhece trabalhando. Embora a taxa de desemprego entre essa faixa etária tenha caído para 2,2%, a menor da série histórica, essa aparente melhora esconde uma realidade preocupante: 53% dos idosos ocupados atuam na informalidade, percentual muito superior aos 38% registrados na média nacional.
Em muitos casos, a permanência dos idosos no mercado de trabalho não ocorre por opção, mas pela necessidade de complementar a renda da aposentadoria. Essa situação é agravada pela queda do poder de compra dessa população. Enquanto a renda média real dos jovens cresceu 15,4% entre 2016 e 2025, a dos trabalhadores com 60 anos ou mais sofreu uma redução de 4,2%. O resultado é um contingente crescente de brasileiros mais velhos trabalhando por mais tempo, em atividades frequentemente precárias e com menor proteção social.

Essa mudança demográfica também altera a lógica das eleições de 2026. Dados da Nexus, com base no Tribunal Superior Eleitoral, apontam que o número de eleitores com 60 anos ou mais aumentou 74% entre 2010 e 2026, enquanto o eleitorado total cresceu apenas 15%. Hoje, aproximadamente um em cada quatro eleitores brasileiros pertence à chamada geração prateada, tornando esse segmento decisivo em disputas eleitorais.
Diante desse novo cenário, especialistas defendem que o debate público precisa ir além da Previdência Social, do assistencialismo e do SUS. O envelhecimento da população exige políticas voltadas à empregabilidade dos trabalhadores mais velhos, ao combate ao preconceito por idade, à qualificação profissional contínua, à inclusão digital, à adaptação dos ambientes de trabalho e ao fortalecimento da rede de cuidados. Em um país onde a população jovem cresce cada vez menos, a capacidade de manter trabalhadores experientes produtivos e protegidos será determinante para a sustentabilidade da economia brasileira.
ALTERNATIVAS PARA ENFRENTAR ESSE DESAFIO
Criar programas permanentes de qualificação e requalificação profissional voltados para trabalhadores acima de 50 e 60 anos, facilitando sua permanência em empregos de maior qualidade.
Estimular a contratação da geração prateada, por meio de incentivos fiscais e programas de combate ao etarismo, valorizando a experiência desses profissionais.
Fortalecer a proteção social e reduzir a informalidade, ampliando políticas de apoio ao empreendedorismo, ao trabalho formal e à complementação de renda para aposentados que continuam trabalhando.
Adequar as políticas públicas ao novo perfil demográfico do país, investindo em saúde preventiva, inclusão digital, acessibilidade, cuidados de longa duração e modelos flexíveis de trabalho, garantindo qualidade de vida e maior participação econômica da população idosa.
Com informações do(a) Jornal Leia Sempre Brasil – Edição 363