26 de junho de 2026
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Foto: Carlos Gibaja/Governo do Ceará

 

Na reta final da formação das chapas eleitorais para as eleições de 2026, o governador Elmano de Freitas (PT) entrou na fase mais delicada da construção política do projeto governista no Ceará: a definição da chapa majoritária que representará a base aliada na disputa pelo Palácio da Abolição.

Nos bastidores, as conversas se intensificaram e envolvem os principais líderes do grupo político que governa o Estado desde 2007. O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), o senador Cid Gomes (PSB) e dirigentes de partidos aliados participam diretamente das negociações que definirão os espaços na chapa, especialmente as vagas para o Senado e a indicação do candidato a vice-governador.

Embora a candidatura à reeleição de Elmano seja tratada como natural dentro da aliança, a acomodação dos interesses partidários exige habilidade política. PT, PSB, MDB, PDT, PSD, Republicanos e outras siglas que compõem a base buscam ampliar protagonismo e reivindicam participação na composição final.

O maior impasse gira justamente em torno das duas vagas ao Senado. Elmano vem conversando com Júnior Mano e Cid Gomes e defendendo o nome de Cid para o Senado e propondo uma nova reacomodação de Júnior Mano. Isso não está indefinido.

Está indefinido ainda o segundo nome para o Senado. Surge nomes de Eunício Oliveira (MDB) e da deputada federal Luizianne Lins (Rede) que tem forte apelo popular.

A unidade do bloco governista é vista como estratégica diante da reorganização das forças de oposição no Ceará. Por isso, a tendência é que a decisão final seja construída por consenso, preservando o capital político acumulado pela aliança ao longo das últimas décadas.

Mas, se o desafio eleitoral é grande, os obstáculos administrativos de um eventual segundo mandato de Elmano poderão ser ainda maiores.

Caso reconduzido ao cargo, o governador terá pela frente a missão de aprofundar políticas públicas em áreas sensíveis, como segurança pública, saúde e infraestrutura. A cobrança por resultados mais efetivos no combate à violência permanece entre as principais preocupações da população e tende a ocupar papel central no debate político.

Outro desafio será manter o ritmo dos investimentos sem comprometer o equilíbrio fiscal do Estado. A ampliação da oferta de serviços especializados de saúde no Interior, a melhoria da qualidade do ensino público, a atração de novos empreendimentos e a geração de empregos também deverão integrar a lista de prioridades de uma eventual nova gestão.

Além disso, Elmano terá de administrar uma base política ampla e heterogênea. O mesmo grupo que hoje trabalha pela unidade eleitoral reúne diferentes interesses e projetos de poder. Manter a coesão entre aliados, garantir governabilidade e atender às expectativas da população poderá ser tão desafiador quanto vencer a disputa nas urnas.

Na prática, 2026 representa para Elmano de Freitas um duplo teste: consolidar a liderança capaz de manter unida a maior aliança política do Ceará e convencer o eleitorado de que seu governo tem condições de entregar respostas aos problemas históricos do Estado. O sucesso dessa equação poderá definir não apenas o futuro do governador, mas os rumos do grupo político que domina a cena cearense há quase duas décadas.

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