
O público já pode acessar e ler gratuitamente o ebook “Contos e Poemas sobre o Universo”, lançado nesta semana pelo Selo Conexão Literatura. A obra é organizada por Ademir Pascale e reúne textos de diferentes autores, com narrativas e poemas inspirados nos mistérios, na beleza e nas reflexões provocadas pelo universo.
Entre os trabalhos publicados está o conto “Quando a Terra Quase Parou”, escrito pelo jornalista e radialista Tarso Araújo. A narrativa integra a coletânea com uma proposta literária que mistura imaginação, sensibilidade e reflexão sobre a humanidade diante de acontecimentos extraordinários.
O lançamento representa uma oportunidade para os leitores conhecerem novas vozes da literatura contemporânea e também prestigiarem a produção cultural de autores que dialogam com temas ligados à ciência, à fantasia, à poesia e à condição humana.
A leitura é gratuita e aberta ao público. Fica o convite para que todos acessem o ebook “Contos e Poemas sobre o Universo”, conheçam a coletânea organizada por Ademir Pascale e leiam o conto “Quando a Terra Quase Parou”, de Tarso Araújo.
Link para ler a coletânea:
https://fabricadeebooks.com.br/contosepoemassobreouniverso.pdf
LEIA O CONTO NA ÍNTEGRA:

Quando a terra quase parou
Eles chegaram sem ruído. Poucos deram importância apesar o evento extraordinário. O mundo naquele momento estava tão absorvido em seus conflitos que acreditavam que era cosia de fake news.
Primeiro, foram detectados como anomalias no fundo do oceano. Depois, como sombras no céu — naves que não refletiam luz, apenas a absorviam. Quando a verdade veio à tona, já era tarde: não queriam guerra, queriam tudo.
Chamavam-se de coletores. Pelo menos esse foi o nome que demos a eles. Ninguém nunca conseguiu descobrir quem eles seriam. Mas eram ferozes. Pareciam famintos. Quando começaram a surgir nos espelhos de água nos oceanos e andar pela terra em bandos como um exército a humanidade resolveu parar e reagir. A guerra foi esganiçada.
Não falavam, não negociavam, não ameaçavam. Apenas sugavam. Oceanos começaram a recuar como se fossem drenados por um ralo invisível. Florestas envelheciam em dias, folhas secavam ainda presas aos galhos. O ar tornava-se rarefeito em algumas regiões, como se a própria atmosfera estivesse sendo consumida.
A humanidade reagiu como sempre: reuniões, discursos, tentativas de ataque. Os políticos fizeram o de sempre, ou seja, absolutamente nada além de atrapalhar, As corporações tentaram ganhar dinheiro com a tragédia. Tudo deu errado. Nada funcionava. As armas atravessavam as naves como se fossem feitas de outra matéria — ou de outra lógica.
Foi quando uma cientista desacreditada, percebeu o padrão.
— Eles não estão atacando a gente — disse, olhando os dados. — Estão ignorando.
Os coletores não viam humanos apenas como inimigos. Nem como obstáculos. Éramos irrelevantes. Insetos. O alvo era o planeta. Se os humanos reagissem morreriam. Eles sugariam o planeta e fim de conversa. Éramos insetos as erem esmagados.
A cientista então, a propôs uma ideia absurda: tornar a Terra “inútil”.
Satélites começaram a emitir sinais falsos de colapso ambiental. Reatores liberaram substâncias na atmosfera para simular toxicidade extrema. Reservas de água foram ocultadas por camadas de interferência térmica. Era um teatro planetário — a Terra fingindo estar morta.
Ao mesmo tempo, as pessoas se armaram e reagiram. Começaram a matar os coletores, que também reagiram e o mundo virou um caos. Enquanto uns trabalhavam para tornar a terra aparentemente inútil., outros morriam e matavam e assim durou anos.
Países deixaram de existir. Sistemas caíram. As comunicações caíram. Voltamos ao tempo do rádio. As elites tentaram negociar, eles simplesmente recusaram e abriram fogo contra homens, mulheres, crianças e idosos. Não havia piedade. Nem direitos humanos, nem piedade, nem nada. Apenas morte. A humanidade ou o que sobrou dela, também. Os alienígenas começaram a sequestrar humanos e milhões desapareceram.
Por anos, nada mudou. Até que, numa madrugada silenciosa, as sombras começaram a desaparecer. Uma a uma, as naves recuaram. O céu voltou a refletir luz. O oceano, lentamente, respirou de volta às margens.
A humanidade celebrou como vitória.
Mas a cientista não. Ao revisar os últimos dados, encontrou algo novo: um sinal sendo enviado para além do sistema solar. Um aviso. “Recurso esgotado. Buscar alternativas.”
Ela olhou para o céu, agora limpo demais, e sussurrou:
— Eles não foram derrotados… só foram procurar outro lugar.
E, pela primeira vez, alguém se perguntou se o verdadeiro problema não era quem vinha de fora — mas o que sempre fizemos aqui dentro. Que não demos conta que o mais importante seria se preparar para o extraordinário e não nos destruirmos com sempre fizemos.
Então, fizemos o que sempre fomos bons em fazer. Vários governos se uniram e construíam uma poderosa frota estrelar. E fomos no rumo do universo vasto e para nós, infinito, em busca de vingança contra os coletores.