22 de maio de 2026
p.20 - Ancelotti aposta na experiência, convoca Neymar e leva Brasil à Copa sob pressão por resposta coletiva

Foto: Buda Mendes/Getty Images

 

A convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026 confirma uma escolha clara: o treinador italiano decidiu montar uma Seleção Brasileira mais pragmática, experiente e menos dependente de apostas. A lista tem nomes consolidados, como Alisson, Marquinhos, Casemiro, Bruno Guimarães, Vinicius Júnior, Raphinha e Neymar, além de jovens como Endrick e Rayan. O Brasil estreia no Mundial no dia 13 de junho, contra o Marrocos, em Nova Jersey, e depois enfrenta Haiti e Escócia pelo Grupo C.

O principal acerto de Ancelotti foi buscar equilíbrio. A Seleção chega à Copa sem o brilho absoluto de outras gerações, mas com jogadores acostumados a jogos grandes. Na defesa, a presença de Marquinhos, Gabriel Magalhães, Bremer e Danilo dá segurança. No meio, Casemiro e Bruno Guimarães representam força física, leitura tática e competitividade. No ataque, Vinicius Júnior, Raphinha, Matheus Cunha, Endrick e Neymar oferecem alternativas para diferentes cenários de jogo.

A volta de Neymar é, ao mesmo tempo, a decisão mais midiática e a mais arriscada. Ancelotti justificou a escolha pela melhora física do jogador, pela experiência e pela capacidade de contribuir tecnicamente. Também deixou claro que não quer uma equipe refém de estrelas, mas um grupo “focado, concentrado, resiliente” e voltado ao coletivo. A leitura é correta: Neymar ainda pode decidir partidas, mas não pode mais ser o centro absoluto do projeto da Seleção.

O erro mais questionável está nas ausências. João Pedro e Andrey Santos ficaram fora, mesmo tendo sido chamados em convocações anteriores de Ancelotti. No caso de João Pedro, o corte chama ainda mais atenção pela boa temporada no futebol europeu. O próprio treinador reconheceu que o atacante “provavelmente merecia” estar na lista, mas disse ter optado por outro perfil de jogador. É uma escolha que pode pesar se o Brasil precisar de repertório ofensivo contra seleções fechadas.

Outro ponto sensível está no meio-campo. A convocação privilegia força, experiência e marcação, mas deixa dúvidas sobre criatividade. O Brasil tem atacantes de alto nível, porém precisará de alguém capaz de acelerar o jogo por dentro, quebrar linhas e municiar Vinicius Júnior e Raphinha em boas condições. Paquetá pode cumprir esse papel, mas a lista parece curta em armadores de maior mobilidade.

A estreia contra o Marrocos será um teste pesado. Não se trata de adversário simbólico ou apenas “estreia controlável”. O Marrocos foi a primeira seleção africana a chegar a uma semifinal de Copa do Mundo, em 2022, e chega com respeito internacional. Para o Brasil, vencer na largada será fundamental para reduzir pressão, dar confiança ao elenco e evitar turbulência precoce.

A expectativa é de um Brasil competitivo, mas ainda cercado de interrogações. A Seleção tem qualidade para brigar pelo título, sobretudo se Vinicius Júnior assumir protagonismo, Neymar estiver fisicamente confiável e Ancelotti conseguir transformar talentos individuais em funcionamento coletivo. O desafio não é apenas escalar os melhores nomes, mas fazer o Brasil jogar como equipe.

No fim, a convocação mostra um Ancelotti coerente com sua história: menos espetáculo, mais controle; menos promessa, mais experiência. Pode dar certo se o Brasil for sólido defensivamente e letal no ataque. Mas, se faltar criação no meio e Neymar não responder fisicamente, a lista poderá ser lembrada mais pelos cortes do que pelos acertos.

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