
O MPCE investiga supostas irregularidades em procedimentos licitatórios na prefeitura de Icó (Foto: João Filho Tavares)
Foi executada em Icó, município localizado a 322,55 km de Fortaleza, uma ação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) que apura a suspeita de fraude em procedimentos licitatórios na prefeitura. As investigações da Operação Dilúvio, deflagrada no último dia 28, estão relacionadas principalmente a contratações de serviços de abastecimento de água por caminhões-pipa.
Liderada pela 4ª Promotoria de Justiça de Icó, a mobilização cumpriu dez mandados de busca e apreensão na cidade e recebeu auxílio de promotores de justiça do MPCE e de agentes da Polícia Civil. As ordens judiciais miraram três agentes públicos – que foram afastados de suas funções por 90 dias – três empresários, dois suspeitos de serem usados como “laranjas” e duas pessoas jurídicas.
A investigação indica que teria ocorrido o desvio de pelo menos R$ 9,8 milhões entre 2020 e 2025. Foram cumpridos mandados nas residências e sedes de empresas dos investigados, apreendendo dispositivos eletrônicos, aparelhos telefônicos e anotações. O sigilo bancário e fiscal dos alvos foi quebrado e os contratos firmados com as empresas apuradas foram suspensos, a pedido do MP.
Outras suspeitas
O MPCE investiga, além do suposto esquema envolvendo caminhões-pipa, possíveis fraudes na execução de contrato e pagamento de serviços realizados por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e da secretaria municipal de Educação, ambos de Icó.
É apurado pela Promotoria a possível prática dos crimes de frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em licitação ou contrato administrativo, falsidade ideológica, modificação ou pagamento irregular em contrato administrativo, corrupção ativa e passiva, peculato e associação criminosa. O processo corre em segredo de Justiça.
O que disse a Prefeitura
Até o momento de publicação desta matéria, a prefeitura de Icó não se pronunciou oficialmente sobre a Operação Dilúvio, deflagrada no município. Na semana passada, O POVO tentou contato com a gestão da cidade por telefone e e-mail, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para eventual manifestação.
Nesta segunda-feira, 4, O POVO tentou novamente contato com a prefeitura pelos mesmos meios, mas não teve retorno.
Caso recente
No fim do ano passado, Icó apareceu no centro de indícios de outras irregularidades. Em outubro de 2025, O POVO mostrou que a gestão municipal foi acusada de pagar R$ 120 mil por ano pelo aluguel de um imóvel pertencente a Ladislau Neto, apontado como um dos líderes do Comando Vermelho no Estado.
À época, a reportagem mostrou que a Farmácia Anabelly, de propriedade de Ladislau, teria recebido mais de R$ 5,9 milhões da Prefeitura de Icó, desde 2021, por meio de contratos com a secretaria de Saúde. Na ocasião, tanto a gestão quanto a empresa negaram irregularidades.
Na ocasião, prefeita Aurineide Amaro classificou as declarações como “inconsequentes e de claro viés político-partidário”, afirmando que todas as aquisições da Prefeitura seguem rigorosamente a legislação vigente.
Com informações do O POVO