
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quarta-feira (15/4) o fim do imposto sindical e comparou o fim da obrigatorieda da contribuição com a asfixia que o governo pretende fazer no combate ao crime organizado.
A Reforma Trabalhista de 2017, imposta no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), acabou com a obrigatoriedade da contribuição sindical, tornando-a facultativa e exigindo autorização prévia e expressa do trabalhador.
“Tem muita gente que pensa que o movimento sindical morreu e por isso acabaram com o imposto sindical. Porque eles fizeram com vocês o que nós queremos fazer com o crime organizado. Se nós queremos acabar com o crime organizado, nós precisamos asfixiar a economia deles. Porque enquanto eles tiverem o dinheiro que têm, a gente não acaba. E eles trataram o sindicato assim, vamos asfixiá-los, deixá-los sem dinheiro e não conseguem se organizar, fazer panfleto, fazer protesto e vamos asfixiá-los”, disse Lula.
“Mas os empresários não foram asfixiados, porque eles têm o Sistema S. Eles continuam fazendo o que sempre fizeram. E nós? Como está cada sindicato? Como está cada central sindical?”, completou o presidente.
A declaração foi durante reunião com centrais sindicais no Palácio do Planalto, onde o petista ouviu reivindicações da classe trabalhadora.
Na ocasião, representantes sindicais entregaram ao presidente a “Pauta da Classe Trabalhadora”, documento que reúne as prioridades do segmento para o próximo quadriênio (2026-2030).
Entre os temas contemplados nas 68 reivindicações, estão:
- A regulação do trabalho por aplicativos;
- O fim da jornada de trabalho 6×1;
- O combate ao feminicídio e à violência no mundo do trabalho, como assédio moral e sexual;
- O combate à pejotização;
- A revisão dos marcos da Reforma Trabalhista de 2017;
- A criação de políticas públicas para trabalhadores informais;
- A atualização e reorganização do modelo sindical.
Boné
No evento, Lula também recebeu de representantes sindicais um boné vermelho com a mensagem “Pelo fim da escala 6×1”. O projeto do governo foi encaminhado ao Congresso Nacional nessa terça-feira (14/4), com pedido de urgência, o que obriga o Legislativo a analisar a proposta dentro de 90 dias, sob risco de travamento da pauta.
O titular do Planalto classificou o envio da proposta como “apenas o começo” e incentivou a classe para que voltem “a fazer pressão” no Congresso.
“Queridos companheiros, mas é apenas o começo. A luta não termina com isso, só começa. A gente não sabe o que vai acontecer no movimento sindical, mas aconteça o que acontecer, vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar, lutar, lutar pelos trabalhadores que vocês representam. Esse é o destino de vocês”, afirmou o presidente.
Participaram da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos; e das Relações Institucionais, José Guimarães.
Pelo lado das centrais sindicais, estiveram presentes representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Intersindical e Pública.
Antes da reunião, as centrais realizaram uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, chamada Marcha da Classe Trabalhadora. O ato reuniu mais de mil pessoas.
Com informações do Metrópoles