16 de abril de 2026
Açude Orós volta a sangrar no Ceará e atinge 100% da capacidade em cenário simbólico para o abastecimento

Foto: Reprodução

Orós, segundo maior açude do Ceará, voltou a sangrar nesta quarta-feira (15). O reservatório, localizado na Bacia do Alto Jaguaribe, atingiu 100% da capacidade e voltou a verter, como já havia ocorrido em 2025, após 14 anos sem registrar esse nível.

A sangria foi registrada por volta das 8h30, conforme a gestão municipal. O momento foi acompanhado por moradores e divulgado nas redes oficiais da Prefeitura de Orós, que destacou a importância do volume acumulado para a região.

Com capacidade para armazenar cerca de 1,9 bilhão de metros cúbicos de água, o Orós é uma das principais reservas hídricas do estado. Apesar de já ter atingido o volume máximo, a água que verte ainda está em nível inicial, com expectativa de aumento nos próximos dias.

Volume reforça abastecimento e uso econômico da água

O aumento do volume no Açude Orós tem impacto direto no abastecimento de água em diferentes regiões do Ceará. Em 2026, o reservatório integra o sistema que atende a Região Metropolitana de Fortaleza, ampliando a oferta hídrica.

Desde o fim de fevereiro, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), junto aos Comitês de Bacia dos Vales do Jaguaribe e Banabuiú, realiza a transferência de água do Orós e do Açude Castanhão para o sistema integrado estadual.

O açude também tem funções estratégicas, como a irrigação no Médio e Baixo Jaguaribe, a manutenção do fluxo do Rio Jaguaribe e a atividade de piscicultura, que contribui para a economia local. O monitoramento do volume é realizado por órgãos como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e a Cogerh, que utilizam metodologias diferentes de medição.

Enquanto o Dnocs se baseia em dados do projeto original, a Cogerh considera estudos atualizados, que levam em conta alterações no fundo do reservatório ao longo do tempo. Na prática, a medição é feita com o apoio de uma régua instalada no açude, onde um fiscal realiza leituras diárias e repassa as informações à gestão municipal.

Sangria movimenta turismo e marca recuperação do reservatório

A sangria do Orós também influencia a movimentação econômica do município. Com o aumento no número de visitantes, principalmente aos fins de semana, a Prefeitura organiza uma operação com equipes de segurança, bombeiros civis, agentes de trânsito e salva-vidas.

A gestão municipal também promove atividades culturais, com participação de artistas locais, o que contribui para o fortalecimento do comércio, além de pousadas e restaurantes da cidade.

O atual cenário confirma a recuperação do reservatório após anos de estiagem. Entre 2012 e 2018, o Ceará enfrentou um período de seca prolongada, que levou o Orós a registrar apenas 4,73% da capacidade em 2020. A partir desse período, o açude iniciou um processo gradual de recuperação, voltando a atingir o volume máximo em 2025 e repetindo o resultado em 2026.

Até 2002, o Orós era o maior açude do Ceará, posição que passou ao Açude Castanhão. Mesmo assim, o reservatório segue como um dos principais do estado, com papel relevante no abastecimento e na economia regional.

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