3 de junho de 2026
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Foto: Thiago Gadelha

 

 

A possível candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará em 2026 enfrenta resistência dentro do Partido Liberal e do bolsonarismo, devido a divergências ideológicas e ao histórico de críticas ao grupo de Jair Bolsonaro. Embora haja uma ala pragmática favorável à aliança, outra rejeita o apoio e defende candidatura própria do bolsonarismo. O impasse é influenciado também pelo cenário nacional e pelo receio de enfraquecimento da identidade da direita no estado. Com as negociações suspensas, segundo Flávio Bolsonaro, o cenário segue indefinido e deve permanecer em disputa até as convenções partidárias.

Resistência no PL e bolsonarismo dificulta apoio a Ciro Gomes no Ceará em 2026

A possível candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Ceará em 2026 enfrenta um obstáculo que vai além da disputa tradicional com o campo governista: a resistência de setores do Partido Liberal (PL) e do bolsonarismo, tanto no cenário estadual quanto nacional.

Embora haja movimentos pontuais de aproximação entre aliados de Ciro e lideranças da direita, a consolidação de uma aliança com o campo bolsonarista ainda encontra entraves políticos, ideológicos e estratégicos.

O principal fator de resistência está no histórico recente. Durante as eleições presidenciais de 2022, Ciro adotou uma postura crítica em relação ao então presidente Jair Bolsonaro, posicionando-se como uma alternativa de “terceira via”. Ao longo dos anos, o pedetista também fez críticas recorrentes ao bolsonarismo, o que gerou desgaste com a base mais ideológica do PL.

Além disso, Ciro sempre foi muito duro com Bolsonaro e seus filhos e chegou em algumas entrevistas a acusá-los de ladrões e corruptos. Esses episódios foram depois lembrados por Michele Bolsonaro em sua recusa a apoiar Ciro por algum motivo.

Dentro do PL, o cenário está longe de ser homogêneo. Uma ala mais pragmática admite a possibilidade de composição, sobretudo diante da necessidade de enfrentar o grupo governista liderado pelo governador Elmano de Freitas e pelo ministro Camilo Santana.

André Fernades e Carmelo Neto tem essa visão mais pragmática e se alinham aos setores que já pensam o bolsonarismo sem Bolsonaro.

Por outro lado, setores mais alinhados ideologicamente ao bolsonarismo rejeitam apoiar Ciro, defendendo candidatura própria ou aliança com nomes mais identificados com a direita. Essa divisão tende a influenciar diretamente as estratégias eleitorais no estado.

No bolsonarismo cearense tem o nome do senador Luís Eduardo Girão (Novo) que tem a simpatia de Michele Bolsonaro e outros nomes desse agrupamento político.

A resistência também é alimentada pelo contexto nacional. O PL segue sendo o principal partido ligado a Jair Bolsonaro, e suas decisões estaduais costumam dialogar com a estratégia nacional da legenda.

Nesse sentido, apoiar um candidato que não é orgânico ao bolsonarismo — e que já foi crítico do grupo — pode ser visto como incoerente por parte da militância e de lideranças mais próximas ao ex-presidente.

Outro ponto central é o cálculo eleitoral. Parte do bolsonarismo avalia que apoiar Ciro pode diluir sua identidade política no Ceará, dificultando a construção de um palanque próprio para 2026 e eleições futuras.

Além disso, há o receio de que uma aliança desse tipo beneficie mais o próprio Ciro do que o fortalecimento do campo conservador no estado.

Nesta semana Flávio Bolsonaro afirmou que as negociações do PL com Ciro estão suspensas “por enquanto”. Nos bastidores, os bolsonaristas mais ideológicos comemoram como uma vitória. A informação é que nas próximas semana Flávio virá ao Ceará resolver o palanque do partido.  E a orientação de Jair Bolsonaro é que o PL tenha  dois candidatos ao senado, não apenas um.

Com isso, o cenário segue indefinido. Enquanto Ciro busca ampliar seu arco de alianças para enfrentar o grupo governista, o PL e o bolsonarismo permanecem divididos entre o pragmatismo eleitoral e a fidelidade ideológica.

A tendência é que essa tensão persista até o período das convenções partidárias, quando as definições formais devem ocorrer. Até lá, o xadrez político cearense seguirá marcado por negociações, resistências e possíveis reconfigurações.