3 de junho de 2026
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A crise ambiental não está mais restrita aos relatórios científicos e aos noticiários; ela invadiu a literatura. A morte massiva de meio bilhão de abelhas no sul do Brasil devido aos agrotóxicos em 2019 inspirou o romance distópico “A Extinção das Abelhas”, da autora Natalia Borges Polesso. A obra faz parte de um movimento que ganha cada vez mais força no mercado editorial: a Ficção Climática (ou Cli-Fi).

​🌍 A Literatura do Antropoceno

​Esse gênero literário constrói narrativas em um futuro próximo onde o colapso ambiental já aconteceu. A grande diferença para as velhas histórias de desastres naturais é que, na Ficção Climática, o culpado tem nome e sobrenome: a ação humana predatória (o chamado Antropoceno). É a arte refletindo o nosso fracasso em proteger a biodiversidade e os ecossistemas.

​🐾 Além do Umbigo Humano

​O mais interessante dessa nova leva de livros é que eles estão quebrando o nosso antropocentrismo (a mania de achar que o ser humano é o centro do universo). Obras recentes estão dando protagonismo e voz a animais, plantas e rios, mostrando que a sobrevivência do planeta depende de enxergarmos a natureza não como um recurso a ser explorado, mas como sujeitos com os quais dividimos a Terra.

​📖 O Alerta em Forma de Arte

​A literatura brasileira sempre teve um pé na ecologia (como no clássico “Não verás país nenhum”, de Ignácio de Loyola Brandão, de 1981, que já previa a extinção da Amazônia). Mas com a pandemia e o agravamento das secas e enchentes, os escritores nacionais estão usando a ficção como um megafone para nos alertar: ou mudamos a nossa relação com a natureza agora, ou o nosso futuro será o roteiro de uma distopia.

​Fonte: Um Só Planeta.