
Carlos Gandra/Agência CLDF
A pesquisa Datafolha divulgada nesta semana deixou o entorno de Ciro Gomes um pouco alegre. Afinal, o ex-governador chegou aos 47 pontos percentuais. Isso é bom. Mas não o bastante.
Ciro Gomes melhor do que ninguém sabe que o que as pesquisas apontam nem sempre é o que sai no quesito pesquisa estimulada, mas em outros dados e detalhes que precisam e devem ser observados por coordenadores e os políticos.
E Ciro sabe que a alegria foi meio passageira. Por um simples fato: mesmo saindo algumas pesquisas em que Ciro aparece razoavelmente bem, com boa performance sua estratégia inicial não deu certo.
E qual era essa estratégia? Ciro e seu entorno, pelo menos o núcleo mais duro imaginou que assim que ele aparecesse no cenário como um potencial candidato ia chover apoios, prefeitos de diversos partidos políticos iriam fazer uma revoada tendo como destino seu palanque, que isso também aconteceria com deputados estaduais e federais, e eventuais legendas.
O problema é que isso não aconteceu. Não há uma convergência para sua pré-candidatura, pelo contrário ,ele sofre problemas em várias áreas. No bolsonarismo ele não tem apoio total, pois há um setor forte do bolsonarismo que não quer saber de apoiá-lo e já lançou um nome, o senador Luís Eduardo Girão(Novo).
Ao mesmo tempo, partidos como o União Brasil e PP resistem a apoiar Ciro e a disputa interna vem se acirrando deixando o palanque de Ciro sem a presença do UB e PP importantes para sua candidatura.
E finalmente, mas não menos surpreendente, sequer o seu irmão Cid Gomes sinalizou que vai apoiá-lo, preferindo cerrar fileiras com o petista Elmano de Freitas, ocupando inclusive destacado posto nas articulações do palanque do atual governador.
Além do mais tem o PSDB que desde 2014 está fora do páreo para valer na corrida presidencial e já tem gente no ninho tucano querendo Ciro numa chapa presidencial, o que o afastaria da corrida estadual. Ciro Gomes, portanto, tem um bom tempo ainda para decidir, mas o cenário estadual mesmo estando bom para ele é bom olhar para alguns dados da pesquisa Datafolha.
Na espontânea Elmano aparece em empate técnico com Ciro. Quando a pesquisa retrata a transferência de votos das lideranças políticas Lula, Camilo e Cid Gomes transferem muito mais votos para Elmano do que aliados de Ciro, como o ex-senador Tasso Jereissati. Já Bolsonaro que poderia ajudar Ciro atrapalha mais que ajuda, pois tem uma rejeição de 64 por cento.