
Por Oberdan Leite
Aprendi com um velho e conhecido pedreiro da cidade alguns pontos importantes sobre organização educacional. O pedreiro era um senhor que morava lá na Rua da Pitombeira, ao lado da oficina de Zé das Prenha, perto do bar de Jaraguá
Mal sabia assinar seu nome, mas era um mito conciso no seu trabalho pela cautela e organização que demonstrava ter.
Conversando muito sobre soluções simples para problemas complexos o senhor Ciço me mostrou que a educação é uma panela que muitos mexem e ninguém sabe direito sobre a receita. E é um fato.
Usando muitas palavras aprendidas com ele, eu concluo que o aluno, por exemplo, parece um telhado em construção em que um construtor faz um arremate na parede lateral esquerda, arruma a telha trepada e ainda não ajustada pela bitola de encaixe. Arruma, mas deixa uma folga entre uma rebarba e a telha seguinte. Isso permite uma leve vazão de água no algeroz. Tudo parece perfeito quando se olha pelo acabamento do reboco, mas se perde no alinhamento do telhado. E vaza água quando chove!
Depois vem o pedreiro, achando-se também sabedor. Tentando fazer um beiral maior, cria uma pequena chanfrada na madeira inaugurando a sua maquita nova e promovendo, desta forma, um melhor caimento do telhado. Tudo parece perfeito, mas ele não sabe que o telhado não é só telha e se esqueceu da leve diferença de três centímetros que deixou no prumo da parede ao bater a mestra. A parede nesse ponto ficou levemente inclinada e a vazão de água tornou-se maior do que previsto. E vaza água quando chove!
O arquiteto, sentindo-se conhecedor do problema, disse que o preço do material era o problema. Que comprasse material de primeira. E já afirmou também que outro problema era a galga, que é a distância entre uma ripa e outra, e mandou repontear pregos ripais em novos sarrafos a serem alinhados e travados de modo que cada calha ficasse juntinha ao beiral da casa. A cumeeira estava perfeita a seus olhos. Ele só não previu o rincão menos elevado quando na construção da tacaniça. E também não previu a forma piramidal do telhado que escorria menos água durante a chuva promovendo, em pouco tempo, goteiras, infiltrações e sinais de mofo na laje. E vazou água quando choveu!
E assim será posta em discussões a educação do nosso aluno que é, muitas vezes, o foco do capital que gira e o enxerga como o futuro trabalhador que precisa ser alinhado segundo metas novas do mercado de trabalho. Enchê-lo de regras, robotizando-o, sem o devido crescimento pessoal e humano, torna sua aprendizagem dificultada. Toda didática, se fundamentada pelo companheirismo, respeito e confiança, dá bons resultados.
Ponha a sua ideia prática onde não há aparente espaço para isso, e a praticidade aparecerá. Mudar o método, inová-lo, pode ser difícil, mas a mesmice e a inércia são piores, pois promovem a falência. A boa educação é aquela que não esgota os recursos diversos de ensino e aprendizagem e que consegue enxergar que o que temos são valores a serem discutidos e bem trabalhados.
Moral: Pescador que enche demais o barco corre o risco de naufragar.
Sobre o autor
José Oberdan Leite, barbalhense, é professor formado pela URCA-Universidade Regional do Cariri com formação também em Pedagogia (UCAM) e com Pós-graduação em Língua Inglesa (URCA), Língua Portuguesa (URCA), Psicopedagogia Escolar (FJN), Gestão Escolar Administração, Supervisão e Orientação (UCAM) e Liderança e Coaching (FMJ). Atualmente cursa mestrado acadêmico em Ciências da Educação pelo Instituto Educainter. Atua como servidor público do estado do Ceará na EEMTI Alaide Silva Santos, Juazeiro do Norte-Ceará.