A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abriu a Campanha da Fraternidade 2023 com uma missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, celebrada na manhã de domingo, 26 de fevereiro. O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência, dom Walmor Oliveira de Azevedo, foi quem presidiu a celebração. Em sua homilia, dom Walmor refletiu sobre o chamado à conversão proposto pelo Tempo da Quaresma e, abordando o tema da Campanha da Fraternidade, ressaltou que não há razões de ter no Brasil pessoas passando fome, uma vez que o país é um dos “celeiros do mundo”.
“A CNBB, através dos pastores de nossas dioceses, e na nossa rede de comunidades, nas paróquias, estamos empenhados para dar a todos a possibilidade de compreender o seu papel e que, como cidadãos do Reino, nós precisamos promover uma vida justa, digna e fraterna entre nós. O Brasil tem todas as condições para isso, é um grande celeiro do mundo. Não tem razões para nós termos gente passando fome – e a cifra é assustadora, supera 30 milhões de pessoas em insegurança alimentar. Isso, portanto, nos remete a nossa consciência e o tecido da nossa interioridade”, afirmou dom Walmor.
Em sua homilia, dom Walmor afirmou que a presença dele, de dom Joel e dos assessores na celebração no Santuário de Aparecida era para “de modo muito especial, com o coração de peregrinos, fazer ecoar da voz bonita do Santuário Nacional de Aparecida, o grande convite que a Campanha da Fraternidade nos faz: ‘Dai-lhes voz mesmos de comer!’”.
Dom Walmor quis destacar a compreensão de que o tempo da Quaresma é ocasião de conversão. “É uma grande delicadeza de Deus pela Liturgia da Igreja, chamando-nos a sair de nossas fraquezas em razão do pecado e da nossa fragilidade humana, nos fortalecendo no caminho, qualificando a nossa cidadania do Reino e a nossa cidadania civil”. A necessidade de conversão se justifica “porque somos pecadores”. E o pecado, continuou, “nos abate, nos submete e nos impede de viver a alegria bonita da fraternidade universal”.
É nesse contexto que a Igreja em todo o Brasil promove a Campanha da Fraternidade, neste ano com o tema “Fraternidade e Fome”.
“São 60 anos movendo nosso olhar na compreensão importante e bonita que é preciso cuidar daquilo que nós encontramos no nosso mundo e na nossa sociedade, para superar injustiças, discriminações, preconceitos e tudo aquilo que ofende a dignidade de cada pessoa humana”, recorda dom Walmor.
O tema da fome é abordado nesta edição pela terceira vez na história da Campanha da Fraternidade. A primeira, há quase 50 anos. “Isso nos deve questionar profundamente quando, por exemplo, comparamos o Brasil como um celeiro do mundo. O que justifica homens e mulheres, irmãos e irmãs nossos, passarem fome? Por isso, na sua mensagem, o Papa Francisco diz de maneira forte e contundente: a fome é um crime, o alimento é um direito”, disse o presidente da CNBB.
Publicado no site da CNBB
