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General Santos Cruz critica família Bolsonaro e aponta risco à soberania nacional

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O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo durante a gestão de Jair Bolsonaro, criticou a atuação política da família Bolsonaro e a aproximação de seus integrantes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista ao jornalista Bruno Torturra, publicada em 16 de outubro, o militar abordou a busca de apoio norte-americano para influenciar a política brasileira, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e o uso de símbolos políticos dos Estados Unidos por lideranças brasileiras.

A entrevista integra uma série de videorreportagens Revelando, intitulado Pátria Submissa, apresentado pelo ator Wagner Moura. A produção trata das relações entre integrantes da família Bolsonaro e o grupo político de Trump, além dos interesses norte-americanos nas riquezas minerais brasileiras.

Um dos principais pontos da entrevista foi a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos para buscar apoio a medidas de pressão contra o Brasil. Santos Cruz criticou a iniciativa de Eduardo em recorrer a outro país para influenciar questões políticas nacionais. O general afirmou que a busca de interferência externa, nas circunstâncias que descreveu, representa um ataque à soberania brasileira. Ao abordar a negociação de sanções contra o país, classificou a iniciativa como uma conduta grave e questionou até mesmo seu possível enquadramento na legislação brasileira.

Santos Cruz também comentou a fotografia de Flávio Bolsonaro ao lado de Donald Trump, na Casa Branca, em maio de 2026. Para o general, a imagem transmitia uma relação de subordinação, e não de igualdade entre representantes políticos.

O militar empregou a expressão “submissão voluntária” ao criticar a aproximação com o governo norte-americano. Na avaliação do General, a busca de apoio externo para favorecer um projeto político brasileiro pode comprometer a defesa dos interesses nacionais.

O general também questionou o uso de bonés com o slogan MAGA — sigla de Make America Great Again, lema político associado a Trump — por políticos brasileiros, entre eles Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Santos Cruz argumentou que o símbolo pertence à propaganda política norte-americana e criticou o uso da marca por brasileiros que se apresentam como patriotas.

Ao comentar o cenário político, Santos Cruz afirmou que se considera um homem de direita, mas fez uma distinção entre sua posição ideológica e o extremismo que atribui a setores do bolsonarismo.

“Isso aí não é direita, isso se chama vigarice”, declarou o general, se reportando ao bolsonarismo.

Ele também criticou a atuação política de Jair Bolsonaro, a quem conheceu durante o período em que integrou o governo federal. Segundo a entrevista Santos Cruz avaliou que o ex-presidente não estava preparado para exercer a Presidência da República.

A crítica foi estendida a Flávio Bolsonaro. Para o militar, a candidatura do senador está vinculada a um projeto político familiar e não apresenta identidade própria suficiente em relação ao pai.

Outro assunto abordado foi o crescimento da extrema-direita nas redes sociais. Santos Cruz avaliou que setores desse campo político avançaram no uso das plataformas digitais, enquanto a esquerda demorou a desenvolver estratégias semelhantes.

O general também apontou a disseminação de notícias falsas como um elemento relevante para o avanço político da extrema-direita no ambiente digital e sua capacidade de mobilizar eleitores.

Ao tratar da polarização, Santos Cruz afirmou que o país vive um cenário de radicalização política. Questionado sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o militar declarou não identificar extremismo em sua atuação.

Carlos Alberto dos Santos Cruz comandou a Secretaria de Governo da Presidência da República no início da gestão Jair Bolsonaro, em 2019. Deixou o cargo em junho daquele ano, após pouco mais de cinco meses no governo, em meio a divergências internas.

Sua passagem pela administração federal é um dos elementos que contextualizam as críticas feitas agora à família do ex-presidente. Na entrevista, o general utiliza sua experiência no governo para fundamentar suas avaliações sobre Jair Bolsonaro e o grupo político ligado a ele.