Sabe qual é a nossa decisão neste domingo, 25? Civilização ou barbárie

A eleição deste domingo, 25, representa um confronto entre projetos distintos de país, envolvendo democracia, soberania nacional, direitos trabalhistas e políticas sociais. Enquanto a candidatura de Lula se apresenta como alternativa à agenda bolsonarista, o debate eleitoral expõe os efeitos do antipetismo, os interesses das elites e os riscos de cortes nos serviços públicos. Mais do que uma disputa partidária, está em jogo o futuro das conquistas sociais, o fortalecimento das instituições democráticas e a capacidade do Brasil de enfrentar as desigualdades sem abrir espaço para soluções autoritárias.
Civilização ou Barbárie: O Brasil diante de uma escolha que pode mudar os destinos do povo
A campanha eleitoral que chega ao fim neste domingo expôs as profundas divisões da sociedade brasileira. De um lado, estão os defensores da democracia, da soberania nacional, dos direitos dos trabalhadores e das políticas públicas voltadas à população mais pobre identificada com a candidatura do presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Do outro, se apresenta um projeto político identificado com o bolsonarismo, marcado pelo discurso de confronto, pelo ressentimento e por propostas que podem ameaçar conquistas sociais, civilizatórias e democráticas.
Nesse cenário, a pergunta que se impõe é direta: ficamos com a civilização ou aderimos à barbárie?
O processo eleitoral deste ano foi atravessado pela desinformação, pela polarização e por questionamentos sobre a atuação das instituições responsáveis por garantir a igualdade de condições entre as candidaturas. O TSE nesse caso, vem agindo abertamente em favor de Flávio Bolsonaro. As críticas à condução do processo eleitoral precisam ser debatidas com transparência e responsabilidade, sem perder de vista a importância de preservar a confiança pública nas instituições democráticas.
A história brasileira revela uma contradição persistente: as nossas elites, os setores economicamente privilegiados acumularam riqueza e poder sem construir um projeto nacional capaz de combinar desenvolvimento, distribuição de renda, soberania e inclusão social. Em diferentes períodos, parcelas dessa elite demonstraram maior disposição para reproduzir modelos estrangeiros do que para enfrentar as desigualdades históricas do próprio país.
Essa postura se manifesta na resistência a políticas de distribuição de renda, na defesa de privilégios e na disposição de apoiar projetos políticos que prometem preservar interesses econômicos mesmo quando suas consequências recaem sobre os trabalhadores e as camadas populares. E mesmo que essa saída seja declaradamente autoritária como aconteceu em 1964 e como pode acontecer nestas eleições caso o bolsonarismo triunfe.
O problema está na ausência de um compromisso consistente com um Brasil soberano, capaz de desenvolver sua indústria, fortalecer os serviços públicos, valorizar o trabalho e garantir melhores condições de vida à maioria da população.
Uma das contradições mais preocupantes desta eleição é a possibilidade de trabalhadores e pessoas de baixa renda apoiarem um projeto político cujas propostas podem atingir diretamente seus próprios interesses. Em determinados setores populares, o antipetismo se tornou tão forte que passou a ocupar o lugar de uma avaliação concreta das consequências econômicas e sociais de cada programa de governo.
A questão precisa ser colocada com clareza: o que acontece quando o ressentimento político fala mais alto do que a defesa dos direitos trabalhistas, do Sistema Único de Saúde (SUS), da educação pública e dos programas de proteção social?
Quando uma candidatura anuncia cortes profundos nas despesas públicas, é necessário perguntar onde esses cortes serão realizados, quem pagará a conta e quais serviços poderão ser comprometidos. Um ajuste fiscal não é uma expressão abstrata nos documentos econômicos. Dependendo das escolhas adotadas, pode significar menos recursos para hospitais, escolas, creches, universidades, assistência social e políticas destinadas às famílias mais vulneráveis.
Pode significar ainda o fim dos direitos trabalhistas tão apregoadas por certos elitistas da sociedade e uma nova reforma previdenciária para ampliar o tempo de contribuição e dificultar a aposentadoria de milhões de brasileiros.
O discurso de um grande “tesouraço” nas contas públicas, quando associado à redução de políticas sociais, precisa ser repudiado com rigor. A população precisa saber que a falsa promessa de economia atingirá quem depende dos serviços públicos para viver com dignidade.
O trabalhador que depende do SUS, a família atendida por programas sociais e o jovem que precisa da escola pública não podem ser convencidos a abrir mão de seus direitos sem conhecer as consequências das escolhas políticas que estão fazendo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está acima das críticas. Seu governo pode e deve ser cobrado por resultados, compromissos assumidos e medidas que ainda precisam avançar. O próprio jornal Leia Sempre Brasil já apresentou críticas à administração federal, porque o compromisso com a democracia também exige independência editorial e liberdade para apontar erros.
Entretanto, reconhecer as limitações de um governo não significa ignorar as diferenças entre os projetos políticos em disputa.
Neste momento, Lula representa uma alternativa à expansão do bolsonarismo e às propostas que possam enfraquecer a proteção social, a convivência democrática e a soberania brasileira. A preservação de um ambiente político no qual a oposição possa atuar, os movimentos sociais possam se organizar e a imprensa possa fiscalizar o poder é uma condição fundamental para qualquer projeto de transformação social.
A democracia não resolve automaticamente os problemas do país. Ela, porém, oferece instrumentos para que a população dispute os rumos do Estado, cobre seus representantes e lute por mudanças sem que a divergência política seja tratada como crime ou motivo para perseguição.
É nesse ambiente que sindicatos, associações comunitárias, movimentos populares e organizações da sociedade civil podem reivindicar melhores salários, mais investimentos públicos, redução das desigualdades e ampliação de direitos.
A disputa eleitoral não deve ser reduzida à ideia de que todos os problemas do Brasil serão resolvidos pela vitória de um candidato. A realidade é mais complexa. A pobreza, a desigualdade, a violência e a precarização do trabalho exigem políticas permanentes, participação popular e compromisso institucional.
Mas eleições também estabelecem limites. Podem impedir retrocessos, preservar direitos e manter abertas as possibilidades de transformação social.
De um lado, estão os democratas, os setores progressistas, os social-democratas, as esquerdas, os defensores da soberania nacional e também aqueles liberais de direita que compreendem a importância de respeitar as regras democráticas. Do outro, estão as forças que apostam na radicalização política e em soluções autoritárias para problemas que exigem diálogo, planejamento e responsabilidade pública.
A escolha deste domingo, portanto, não elimina as divergências nem encerra a luta política. Ela define as condições em que essa luta continuará.
O Brasil precisa de desenvolvimento, trabalho digno, saúde pública, educação de qualidade e instituições fortes. Precisa enfrentar a corrupção, combater a desinformação, a violência, o crime organizado e superar a dependência econômica sem sacrificar os direitos da população.
Neste domingo, 25, o eleitor tem diante de si uma decisão que ultrapassa as preferências partidárias. Trata-se de escolher qual caminho oferece melhores condições para preservar as liberdades democráticas e continuar a luta por um país mais justo.
O voto não encerra a história. Mas pode determinar se o povo brasileiro terá mais condições de escrever seus próximos capítulos com liberdade, participação e esperança. A democracia precisa ser defendida todos os dias. E a luta por um Brasil soberano, justo e socialmente igualitário continua depois das urnas.
Por isso, o presidente Lula significa a manutenção das conquistas civilizatórias da sociedade brasileira e a possibilidade de se avançar mais nessas conquistas. Não precisamos de receitas autoritárias.