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Governo Lula estuda MP mais dura contra bets após alerta de impacto de até R$ 141 bilhões

Governo federal avalia endurecer as regras para apostas online; estudo do Made/USP estima impacto de até R$ 141 bilhões na atividade econômica brasileira.

Imagem sobre apostas online e bets no Brasil
Imagem: Reprodução/Ceará Agora

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia editar uma Medida Provisória para endurecer as regras do mercado de apostas online, em meio a preocupações com os efeitos das bets sobre a saúde financeira e o orçamento das famílias brasileiras.

O debate ganha peso diante do crescimento das plataformas de apostas e da preocupação de entidades sociais, lideranças religiosas e economistas com problemas como endividamento, dependência e redução do consumo das famílias.

Estudo aponta impacto de até R$ 141 bilhões

Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/USP), de autoria do pesquisador Guilherme Klein, estima que as apostas online tenham retirado até R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira no ano passado.

Segundo a análise, o principal efeito ocorre pela redução do consumo. Recursos que poderiam ser destinados à compra de alimentos, roupas, medicamentos, serviços e outros produtos passam a ser direcionados às apostas, diminuindo o faturamento de setores da economia e podendo afetar produção, emprego e arrecadação.

Apostas pesam mais entre famílias de menor renda

Pesquisa encomendada pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) aponta que 75% das pessoas que apostam regularmente pertencem a famílias com renda de até cinco salários mínimos. Entre os apostadores, 43% estão em famílias com renda de até dois salários mínimos.

Nessas faixas de renda, o dinheiro destinado às apostas tende a representar uma parcela maior do orçamento doméstico, ampliando o risco de comprometimento de despesas essenciais.

Arrecadação e perda de atividade econômica entram no debate

O mercado regulamentado de apostas gera arrecadação estimada em cerca de R$ 9 bilhões por ano. O estudo do Made/USP, porém, sustenta que esse ganho pode ser superado pelos efeitos da redução do consumo e da atividade econômica.

Segundo a análise citada, um impacto equivalente a 1% do Produto Interno Bruto, decorrente da transferência de recursos das famílias para as plataformas, poderia representar perda de arrecadação de até R$ 46 bilhões para o Estado brasileiro.

Com a campanha eleitoral em andamento, o tema pode ganhar espaço no debate político por envolver questões como orçamento familiar, endividamento, saúde mental e proteção de crianças e adolescentes.

Com informações do Ceará Agora.