Entidade lança abaixo-assinado em defesa de Chico Passeata após Ciro atribuir a ele frase contra médicos

A Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD) lançou um abaixo-assinado em defesa da memória do médico Francisco das Chagas Dias Monteiro, conhecido como Chico Passeata, após uma declaração de Ciro Gomes (PSDB) durante debate eleitoral. A entidade apoia um pedido de Desagravo Público In Memoriam encaminhado ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec).
A controvérsia envolve a autoria da frase “Médico é como sal: branco, barato e se encontra em qualquer esquina”, atribuída a Ciro Gomes durante uma greve da categoria em 1992. Após o debate, o tucano negou ter feito a declaração e afirmou que a frase teria sido criada pelo médico Francisco Monteiro.
A versão provocou reação de familiares e amigos de Chico Passeata, que divulgaram uma nota de repúdio. Para o grupo, atribuir ao médico a autoria da frase representa um desrespeito à sua trajetória e à sua memória.
“A família e os companheiros de militância do Dr. Francisco Monteiro (Chico Monteiro), conhecido como Chico Passeata, vêm a público rebater veementemente a versão apresentada pelo candidato Ciro Gomes no debate, de que ele teria dito ou inventado a frase que menospreza a categoria médica”, diz o documento.
Entidade defende desagravo público
Ao reproduzir a manifestação dos familiares e companheiros de militância, a ABMMD afirmou que a associação da frase ao médico é incompatível com sua trajetória profissional e sindical. Segundo a entidade, Chico Passeata foi médico sanitarista e atuou em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), da saúde pública, da democracia e da valorização da categoria médica.
“É uma injustiça à sua memória. Ele dedicou a vida a defender justamente o oposto: o respeito e a dignidade desses profissionais”, destaca a nota.
No abaixo-assinado, a associação afirma que Francisco Monteiro foi uma das lideranças da medicina cearense e defende que sua memória seja preservada.
“Francisco das Chagas Dias Monteiro, o querido Chico Passeata, foi uma das grandes lideranças da medicina cearense. Médico sanitarista, defensor do SUS, da saúde pública, da democracia e da valorização da categoria médica, construiu uma trajetória marcada pela ética, pela coragem e pelo compromisso com a dignidade da profissão.”
A entidade também afirma que a atribuição da frase ao médico é falsa e ofensiva e pede apoio ao desagravo público encaminhado ao Cremec.
“Por isso, apoiamos o pedido de Desagravo Público In Memoriam encaminhado ao Cremec, para que a verdade seja restabelecida e a memória de Chico Passeata receba o respeito que merece.”
Controvérsia começou em debate eleitoral
O episódio teve origem no debate entre os candidatos ao Governo do Ceará promovido pelo Ponto Poder, do Diário do Nordeste. Durante o encontro, o governador Elmano de Freitas (PT) afirmou que Ciro Gomes teria feito a declaração em 1992, quando era governador do Ceará. Naquele período, os médicos estavam em greve havia mais de 60 dias.
Ciro negou a autoria e afirmou que renunciaria à candidatura caso tivesse feito a declaração. Depois do debate, o tucano publicou sua versão nas redes sociais e atribuiu a criação da frase ao médico Francisco Monteiro, conhecido como Chico Passeata no movimento sindical. Familiares e amigos do médico contestam essa versão. Segundo eles, registros da imprensa produzidos durante a greve dos médicos em 1992 apontam Ciro Gomes como autor da declaração.
A disputa sobre a autoria da frase passou, assim, a envolver também a memória de Chico Passeata e sua trajetória na defesa da medicina, da saúde pública e do movimento sindical.