Caps de Fortaleza atende adultos com dependência de jogos eletrônicos
Caps AD II da Cidade 2000 recebe adultos em regime de porta aberta e monta plano individual com equipe multiprofissional para dependência de jogos.

Adultos que enfrentam dependência de jogos eletrônicos estão procurando atendimento no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas Dr. José Glauco Bezerra Lobo, na Cidade 2000, em Fortaleza. A unidade integra a Rede de Atenção Psicossocial do município e trabalha em regime de porta aberta. Isso significa que a pessoa pode buscar o acolhimento inicial sem necessidade de encaminhamento prévio, a partir da percepção de prejuízos na rotina, no trabalho, nos estudos ou nas relações pessoais.
A gestão do Caps AD II informou que a procura relacionada aos jogos vem aumentando, embora ainda não tenha divulgado números. O tratamento considera o comportamento como um processo de dependência e começa por uma escuta sobre a história de vida do usuário e o papel ocupado pelo jogo. A avaliação não se limita ao tempo diante da tela: a equipe observa perda de controle, sofrimento, isolamento, conflitos, dívidas e abandono de atividades importantes.
A partir do acolhimento, profissionais e usuário constroem um Plano Terapêutico Singular. O acompanhamento pode envolver psicologia, terapia ocupacional, serviço social, enfermagem e psiquiatria, conforme a necessidade. Cerca de 50 trabalhadores atuam no equipamento. A frequência também é definida individualmente, porque parte do público mantém trabalho e outras responsabilidades e não consegue comparecer todos os dias.
O atendimento inicial ocorre diariamente, das 7h às 17h. A unidade fica na Rua Giselda Cysne, sem número, na Cidade 2000, perto do Posto de Saúde Rigoberto Romero. O equipamento também dispõe de nove leitos para acolhimento integral de curta duração, seis para homens e três para mulheres. A permanência por até dez dias depende de indicação clínica e não é a resposta automática para todos os casos.
A requalificação entregue nesta semana recebeu investimento municipal de aproximadamente R$ 710 mil e incluiu a estrutura de acolhimento noturno. Segundo a Prefeitura, essa foi a sexta unidade da rede psicossocial reformada pela atual gestão, enquanto outras seis permanecem em obras. A ampliação física precisa ser acompanhada de equipes completas, continuidade do cuidado e articulação com atenção básica, assistência social e família quando houver consentimento do paciente.
Dependência não deve ser confundida com o uso recreativo eventual. O sinal de alerta aparece quando jogar passa a organizar a vida da pessoa, apesar de consequências negativas persistentes. Promessas de solução imediata ou punição familiar podem aumentar o isolamento. A orientação mais segura é procurar avaliação profissional, sobretudo quando surgem ansiedade intensa, alterações do sono, irritabilidade, prejuízo financeiro ou abandono de vínculos e atividades.
O Caps oferece cuidado comunitário e busca preservar autonomia, rotina e laços sociais. Casos de urgência, risco de autoagressão ou crise grave exigem procura imediata por serviço de emergência. Para os demais, a porta aberta permite iniciar um plano compatível com a realidade de cada usuário, sem reduzir o problema a falta de força de vontade e sem transformar todo hábito de jogar em diagnóstico.
Com informações do jornal O POVO