Ceará Notícia

Alece aprova novas regras para expansão do Cinturão Digital

Projeto 79/26 altera o Programa Estadual de Banda Larga e regras de gestão de bens usados na rede pública de fibra óptica do Ceará.

Deputados conduzem sessão no plenário da Assembleia Legislativa do Ceará
Projeto foi aprovado pelo plenário com uma emenda modificativa — Imagem: José Leomar/Alece

A Assembleia Legislativa do Ceará aprovou nesta terça-feira, 8, o Projeto de Lei 79/2026, que modifica as regras do Programa Estadual de Banda Larga e do Cinturão Digital do Ceará. A proposta foi enviada pelo Governo do Estado e altera a Lei 15.018, de 2011, responsável por disciplinar a participação de empresas privadas e órgãos públicos na exploração da infraestrutura estadual de conectividade.

O texto aprovado ajusta procedimentos de aquisição e gestão de bens destinados ao Cinturão Digital. Segundo a justificativa apresentada, as mudanças buscam dar mais racionalidade e eficiência ao uso de recursos na manutenção, ampliação e modernização da rede pública de fibra óptica. O plenário também aprovou a Emenda Modificativa 02/2026, apresentada pelo deputado Renato Roseno, do PSOL.

A infraestrutura sustenta serviços digitais do poder público e programas de acesso gratuito à internet em municípios cearenses. No Cariri, a rede é usada como base para pontos do Ceará Conectado e para a circulação de dados de órgãos estaduais. Melhorias na gestão podem reduzir gargalos e ampliar cobertura, mas o resultado depende de investimento, manutenção e metas que possam ser acompanhadas pela população.

A participação de empresas privadas exige regras claras sobre uso dos ativos, responsabilidades, contrapartidas e proteção do interesse público. Como a rede foi construída com recursos do Estado, contratos e instrumentos de cooperação precisam preservar continuidade, segurança e acesso aos serviços. Eficiência administrativa não pode significar perda de controle sobre infraestrutura estratégica ou redução da transparência.

A aprovação legislativa é uma etapa, não a entrega automática de novos pontos de internet. A redação final, a sanção e a regulamentação definirão como os procedimentos serão aplicados. Também será necessário acompanhar quais bens poderão ser adquiridos ou compartilhados, quais critérios orientarão a expansão e como o governo divulgará gastos, contratos, falhas e indicadores de disponibilidade da rede.

Conectividade pública tem impacto em educação, saúde, segurança, pesquisa e acesso a direitos. Para moradores do interior, uma rede estável pode facilitar serviços digitais, formação e atividade econômica. Ainda assim, fibra instalada não garante inclusão por si só: equipamentos, sinal no local, manutenção, alfabetização digital e acessibilidade definem se a política alcança estudantes, trabalhadores, idosos e pessoas com deficiência.

O novo marco cria a oportunidade de atualizar uma infraestrutura iniciada há mais de uma década. O teste será a capacidade de transformar ajustes administrativos em cobertura confiável e benefício mensurável. Relatórios periódicos por município, contratos abertos e canais para comunicar interrupções ajudariam a verificar se a expansão reduz desigualdades territoriais e mantém o patrimônio digital sob responsabilidade pública.

Com informações da Assembleia Legislativa do Ceará