6 de setembro de 2026
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 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (4) que a eleição de 2026 deverá ser encarada pelos brasileiros como uma escolha sobre o futuro político, econômico e social do país, e não apenas como uma disputa entre candidatos. Segundo ele, temas como democracia, soberania, combate às fake news e valorização da ciência estarão no centro da decisão do eleitorado.

As declarações foram dadas em entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), e durante uma visita técnica às obras do trecho 1 do Cinturão das Águas do Ceará, na região do Cariri. As informações foram divulgadas pelo site do Partido dos Trabalhadores (PT).

“Não é o candidato A contra o candidato B. É que tipo de Brasil a gente quer. Você quer um Brasil em que a democracia reine, em que as instituições funcionem e em que a gente possa prometer ao povo brasileiro que vale a pena acreditar na democracia ou não? Você vai querer um país da mentira? Vai querer um país das fake news? Você vai querer um país negacionista? Vai querer ter um presidente que não acredita em vacina, que não acredita na medicina, que não acredita na ciência? Vai querer ter como candidato alguém que está pedindo para os Estados Unidos interferirem na política brasileira, interferirem no comércio brasileiro, taxarem o Brasil? […] É isso que está em jogo”, afirmou Lula.

O presidente defendeu que o eleitor defina primeiro quais valores e políticas considera prioritários para o país antes de escolher seus candidatos.

“Aí você não vai ter dúvida, porque você vai votar em você”, declarou.

Educação e emprego de qualidade

Lula também colocou a educação entre os principais eixos de um eventual quarto mandato. O presidente afirmou que pretende fortalecer a formação profissional e tecnológica dos jovens e aproximar o Brasil de padrões de desenvolvimento observados em países de renda mais elevada.

“Eu quero resolver o problema da educação. Sem ele, a gente não resolve mais nada”, afirmou.

Como exemplo das políticas atuais, Lula citou o Pé-de-Meia, programa voltado à permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio. Segundo o presidente, 12,5 mil jovens recebem o benefício somente em Juazeiro do Norte.

“Eu quero fazer o Brasil chegar a ser um país com padrão de país desenvolvido. Eu quero emprego de qualidade para a nossa juventude. Quero cursos profissionais formando os jovens na mais alta tecnologia que o mundo precisa”, declarou.

Lula afirmou ainda que pretende estabelecer as bases para enfrentar os problemas estruturais da educação brasileira em um horizonte de até dez anos. A estratégia, segundo ele, passa também por investimentos em ciência, tecnologia e inovação e pelo aumento da participação de produtos de maior valor agregado na economia.

Lula fala em transformar Brasil em país de “classe média alta”

Durante a entrevista, o presidente afirmou que o país reúne condições para dar um novo salto de desenvolvimento e elevar o padrão de vida da população.

Lula disse querer transformar o Brasil “em um país de classe média alta” e aproximá-lo de níveis de bem-estar social encontrados em países desenvolvidos, principalmente por meio de investimentos em educação, ciência e tecnologia.

“Eu quero fazer este país chegar a um padrão de país desenvolvido”, afirmou.

O presidente também defendeu uma nova dinâmica produtiva e tecnológica para que o Brasil deixe de depender excessivamente da venda de produtos de menor valor agregado.

Lula lamenta adiamento de votações no Senado

Lula também comentou a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de deixar para depois do primeiro turno das eleições a análise das propostas relacionadas ao fim da escala 6×1 e à segurança pública.

O presidente afirmou não conhecer as razões da decisão e classificou como negativa a postergação das votações.

“Não sei quais foram as razões que o presidente do Senado teve para fazer isso. Ele disse aos senadores que, assim que terminar o primeiro turno das eleições, vai colocar em votação. Agora estamos na expectativa de que ele coloque em votação. Foi uma pena, mas, de qualquer forma, foram aprovadas coisas importantes que a gente queria.”

Lula destacou entre os avanços recentes no Congresso a aprovação de medidas defendidas pelo governo, citando o fim da chamada taxa das blusinhas.

Soberania e relações internacionais

Ao tratar da política externa, Lula voltou a defender uma relação pragmática com diferentes potências e afirmou manter bom diálogo com líderes como Donald Trump, Xi Jinping e Emmanuel Macron.

“Se tem um brasileiro que pode ter orgulho de dizer que é abençoado por Deus sou eu”, declarou, ao comentar sua interlocução com chefes de Estado.

Sobre os Estados Unidos, Lula afirmou que pretende disputar politicamente a narrativa sobre o Brasil e advertiu contra eventuais tentativas externas de interferência no processo eleitoral brasileiro.

Segundo o presidente, qualquer país que tentar interferir nas eleições “vai perder”.

Lula também disse que o Brasil não deve ficar dependente de um único parceiro comercial. Caso os Estados Unidos não queiram ampliar o comércio com o país, afirmou, o governo buscará outros mercados.

Transposição e segurança hídrica

No Ceará, Lula visitou as obras do trecho 1 do Cinturão das Águas, empreendimento que recebe água do Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco. O projeto tem 145 quilômetros de extensão e, segundo as informações divulgadas, está com 93,2% das obras executadas.

A estrutura deverá atender ao abastecimento humano, à indústria e à irrigação, além de reforçar a segurança hídrica de áreas do Ceará, inclusive da Região Metropolitana de Fortaleza.

Ao comentar os efeitos históricos da seca no Nordeste, Lula afirmou que os impactos sociais da falta de água também estão relacionados à ausência de políticas públicas.

“O fenômeno da falta de água é um fenômeno da natureza, mas a fome por causa da falta de água é um fenômeno da incapacidade de quem governou este país por muito tempo”, declarou.

O presidente classificou a transposição do São Francisco como a “mais importante obra hídrica feita no mundo nos dias de hoje” e disse ter orgulho de sua participação na implantação do empreendimento.

Lula também afirmou que o governo mantém compromissos ambientais voltados à preservação do Rio São Francisco e à manutenção de sua condição de rio perene.

 

fonte: Brasil 247

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