
Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
Os planos de governo de 12 candidaturas à Presidência apresentam propostas para mulheres de forma desigual e deixam uma lacuna especialmente grande na participação política. Levantamento do Instituto Update identificou medidas explícitas de enfrentamento à violência em nove programas, mas encontrou apenas uma candidatura com proposta específica para ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. O estudo não divulgou, na reportagem consultada, a associação nominal de cada medida.
A prevenção da violência é o tema mais frequente. O dado reflete uma urgência concreta, mas propostas genéricas não bastam. Candidaturas devem explicar como pretendem financiar a rede de atendimento, integrar saúde, assistência, segurança e Justiça, manter casas de acolhimento e assegurar proteção a mulheres negras, indígenas, com deficiência, do campo e das periferias.
Autonomia econômica aparece em sete dos 12 programas analisados. Cinco mencionam igualdade salarial, e sete tratam de políticas de cuidado ou creches. Esses eixos estão conectados: sem renda própria, divisão justa do trabalho doméstico e acesso a serviços públicos, mulheres ficam mais expostas à dependência e encontram barreiras para permanecer no emprego, estudar ou participar da vida política.
A baixa atenção à participação política contrasta com o peso das mulheres no eleitorado. Uma proposta específica foi localizada nesse campo; o número chegaria a duas apenas se uma menção mais ampla à formação de lideranças fosse incluída. Além de candidaturas, o tema envolve financiamento, violência política, tempo de propaganda, estrutura partidária e condições materiais para exercer mandatos.
Outro estudo citado na pesquisa mostra que 79% das mulheres têm medo de sair à noite e 59% deixaram de frequentar algum lugar por insegurança. Cerca de 31,4% disseram ter parado de usar algum meio de transporte. Os indicadores revelam que segurança urbana também é mobilidade, acesso ao trabalho, lazer e autonomia. Iluminação, transporte confiável e desenho dos espaços públicos fazem parte da resposta.
A comparação dos programas deve ir além da contagem de palavras. É preciso verificar metas, orçamento, órgãos responsáveis, prazo e mecanismos de acompanhamento. Medidas de saúde integral, direitos reprodutivos, educação, moradia, combate ao racismo e proteção social também impactam mulheres, mesmo quando não aparecem em um capítulo específico do plano.
Antes do voto, cinco perguntas ajudam a comparar os planos: como prevenir a violência, garantir renda e salário igual, ampliar creches e políticas de cuidado, assegurar mobilidade segura e aumentar a participação das mulheres nas decisões. As respostas precisam indicar metas, orçamento, órgãos responsáveis, prazos e mecanismos públicos de acompanhamento.
Com informações da Agência Brasil