
Imagem: Hucam/Divulgação
Duas universidades públicas brasileiras participam de uma pesquisa internacional que busca novos tratamentos e, no longo prazo, a cura da hepatite B. O estudo reúne equipes do Brasil, Índia, Senegal e Uganda, sob liderança da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. No país, os trabalhos são conduzidos pelo Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo, e pela Universidade de São Paulo.
O consórcio acompanhará 600 pessoas com hepatite B ou coinfecção por hepatite B e HIV, sendo 150 em cada país. Cada participante poderá ser observado por cerca de quatro anos e meio. A equipe pretende comparar a evolução do vírus, as respostas imunológicas e características genéticas que protegem algumas pessoas de uma progressão mais rápida.
No Espírito Santo, o recrutamento começou em julho. Uma das equipes já tinha 40 participantes e buscava completar um grupo de 75 até o fim de 2026, dentro do prazo geral estabelecido para meados de 2027. A pesquisa combina investigação básica das células e do vírus com acompanhamento clínico, tentando localizar marcadores que indiquem resposta ao tratamento ou possibilidade de cura.
A hepatite B ataca o fígado e pode evoluir de forma silenciosa. Sem diagnóstico e controle adequados, a infecção crônica aumenta o risco de cirrose e câncer hepático. A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 240 milhões de pessoas viviam com a infecção crônica em 2024. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 276,6 mil casos entre 2000 e 2022.
A transmissão pode ocorrer em relações sexuais sem preservativo, pelo contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. Objetos perfurocortantes e itens de uso pessoal que entrem em contato com sangue não devem ser compartilhados. A testagem é importante porque a ausência de sintomas não significa ausência do vírus ou de dano ao fígado.
Enquanto a ciência busca uma cura, a vacina permanece a principal forma de prevenção e está disponível no Sistema Único de Saúde para pessoas não vacinadas, independentemente da idade. Crianças recebem quatro doses no calendário indicado, incluindo a dose ao nascer; para adultos, o esquema costuma ter três aplicações. Preservativos e materiais esterilizados também reduzem o risco.
Os resultados do estudo ainda não representam um novo medicamento nem mudam o tratamento atual. A contribuição esperada é identificar alvos para futuros fármacos e melhorar a capacidade de prever quais pacientes têm maior risco de complicações. Pessoas com dúvida sobre vacinação, exposição ou diagnóstico devem procurar uma unidade do SUS e não interromper acompanhamento ou remédio por conta própria.
Com informações da Agência Brasil