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Há pessoas que passam pela história. Outras ajudam a escrever a história de seu tempo. Huberto Cabral pertence à segunda categoria.
O Cariri perdeu, no último dia 24 de agosto de 2026, aos 89 anos, um jornalista, memorialista e observador atento da nossa gente. Com sua partida, desaparece uma das vozes que, durante décadas, ajudaram a registrar acontecimentos, personagens, costumes e transformações de uma região marcada por uma história singular.
Em uma época em que a informação circula em velocidade cada vez maior e muitas histórias acabam esquecidas quase na mesma velocidade em que são contadas, o trabalho de Huberto assumiu uma importância ainda maior. Ele compreendia que fazer jornalismo também era preservar a memória coletiva.
Sua trajetória atravessou diferentes momentos da comunicação. Do jornal impresso ao rádio, acompanhou mudanças tecnológicas e transformações profundas na maneira de produzir e consumir informação. Mas não perdia a mania de fazer todos os seus textos em sua velha máquina de escrever. E manteve aquilo que talvez fosse sua principal característica: a disposição permanente para ouvir, registrar e contar.
Huberto conhecia personagens que muitas vezes não aparecem nos livros oficiais, mas que ajudam a explicar a formação da região. Conhecia histórias de famílias, de políticos, de artistas, de religiosos, de trabalhadores e de gente simples que construiu, no cotidiano, a identidade caririense.Essa capacidade de preservar histórias fez dele mais do que jornalista. Fez dele um memorialista.
Seu trabalho também dialogou com a academia. A Universidade Regional do Cariri (URCA) reconheceu sua trajetória ao conceder-lhe o título de Doutor Honoris Causa, em 2019. A homenagem representou o reconhecimento institucional de uma vida dedicada à comunicação e à preservação da memória regional. Recebeu ainda a Medalha Bárbara de Alencar, outra distinção que simboliza a importância de sua trajetória para o Ceará.
Porque seu maior legado não está apenas nos títulos, medalhas ou registros oficiais. Está nas histórias que ajudou a salvar do esquecimento.
Um jornalista como Huberto deixa uma responsabilidade para as novas gerações: não permitir que a memória seja apagada pela pressa do presente.
É justamente por isso que sua partida não deve ser vista apenas como o encerramento de uma trajetória profissional. Deve ser compreendida como um momento de reflexão sobre a importância de preservar a história regional e valorizar aqueles que dedicaram suas vidas a essa tarefa.
O Cariri continuará produzindo novos acontecimentos, novos personagens e novas histórias. Mas muitas delas poderão ser compreendidas porque homens como Huberto Cabral estiveram lá para registrá-las. A imprensa caririense perde um de seus nomes históricos. A cultura perde um memorialista. O jornalismo perde uma referência.
E o Cariri perde um grande e insubstituível contador de histórias.
Com informações do Leia Sempre Brasil